terça-feira, julho 17, 2007
El 'calcio' brasileño
Por DIEGO TORRES - Maracaibo - 17/07/2007 - El País
"¡Gracias, maestro!", le gritó un periodista compatriota, que hacía unas semanas le había criticado públicamente por sus ideas contraculturales. Dunga, el seleccionador de Brasil, se paseó por el estadio Pachencho Romero con una mueca de soberbia. Simuló no hacer caso a los aduladores. "Yo amo a mi país", repitió, tras asistir el domingo al levantamiento de la octava Copa América de Brasil. "Hemos hecho un gran trabajo", dijo. "Se ha visto el resultado de 34 días de concentración. He estudiado toda la trayectoria de Basile, y sus métodos, no sólo con la selección argentina, también en Boca".
Antiguamente, cuando Brasil conquistaba un título se lo atribuían al talento de sus futbolistas, a Romario, Ronaldo, Bebeto o Rivaldo. El triunfo de Brasil en Venezuela fue distinto. Representó el éxito de un entrenador: Carlos Dunga. El hombre ha organizado a la selección más creativa del planeta como si fuese un equipo italiano. Brasil ya no entretiene. Dunga repudia el jogo bonito que añoran sus compatriotas. Lo califica de "fantasía". "Yo sólo sé de hechos", insiste Dunga, que ha descubierto que la utilización discrecional de aforismos pragmáticos da importancia a los entrenadores. Después de derrotar a Argentina (3-0) en la final del torneo el técnico no destacó a ningún jugador. Recordó que todo se debe al bloque: "Es el triunfo del trabajo de los futbolistas".
Este trabajo se traduce en una estadística singular. Brasil, que hasta hace unos años no se destacó nunca por estar pendiente de sus rivales, hizo 38 faltas repartidas entre 11 de sus jugadores. Trece más que Argentina, que tuvo el balón pero no supo administrarlo. Los futbolistas más creativos, como Robinho o Diego, no brillaron. La final fue el partido de los centrales, Alex y Juan, que dieron una exhibición de despejes de cabeza. También fue relevante el trabajo de barrido de Josué y Mineiro. Los dos medios centros del São Paulo, campeones de la Intercontinental, levantaron un muro en el carril central. Sin desborde por fuera, Argentina se metió en el cuello de botella. Allí esperaba Josué, que hace días recordó que el negocio se ha puesto feo: "Ahora todos los entrenadores quieren que peguemos. Y yo pego".
Como sucede con los partidos condicionados por planteamientos propios del calcio, la final se decidió en un par de acciones más o menos circunstanciales. El error de la defensa argentina en el primer gol, culminado por Ayala, que se olvidó de que el perfil bueno de Baptista es el derecho, decidió gran parte del duelo. Luego Dunga habló del partido como de la precipitación de su plan maestro. Lo que no imaginó el técnico fue que Elano, su protegido, se lesionaría. Tuvo que sustituirlo por Dani Alves. El lateral del Sevilla, al que el seleccionador cuestiona por atacar demasiado, hizo un gran partido. Metió el centro que Ayala desvió a su propio arco y convirtió el tercer gol. Al salir de los vestuarios Alves habló en nombre de una plantilla resentida con la hinchada brasileña, que había pedido más manejo de pelota y menos especulación: "Nuestra camiseta tiene una historia única. Nosotros pedimos un poco de respeto. Muchos ni siquiera nos dieron la posibilidad de un empate".
Dunga está convencido de que su camino es el único posible. Habla con desprecio del Brasil de 1982, y de la generación que encabezaron Zico, Júnior, Sócrates y Falcao. "No ganaron nada", advierte. Cree que su fórmula coincide con el éxito. Y eso es lo único que le importa. Para documentarlo apela a su historial. Empezando por la Copa América que ganó en Maracaná en 1989, cuando él, que por entonces usaba flequillo, derrotó a la Argentina de Maradona con un centro del campo formado por Branco, Mazinho y Paulo Silas. Siempre se olvida de Romario. En 1989 y en la Copa del Mundo que obtuvo en 1994, Dunga prefiere considerar al genio como un accesorio. Sus referencias son Mazinho, Mauro Silva y él mismo, tres pivotes consagrados por Parreira en su escalada defensivista. A ellos, y a sí mismo, debió dedicar la conquista de Venezuela.
Nota minha: esses gringos não entendem nada de futebol. Será que eles não sabem que a Itália é a maior vencedora do futebol mundial?
domingo, julho 15, 2007
Sou Patriota, brasileiro e não desisto nunca
o que é pior: perder da Argentina ou agüentar Dunga até a copa?
Amigos da Rede Globo!
Hoje serei mais verde a amarelo que Zagalo, que Dunga, que Pachecão, que aqueles que criaram o Pra frente Brasil. Hoje é dia de Brasil e Argentina, e nestes dias não dá pra ser outra coisa que não seja BRASILEIRO. Defensor do espírito da verde e amarela. Aquele espírito que fazia os adversários se borrarem de medo ao enxergaram a camisa amarela, a nossa canarinha.
Pois bem, em nome de tudo isso, hoje torcerei pela ARGENTINA. Com direito a por a camisa e tudo.
Brasileiros, uni-vos! A nossa honra está em jogo.
Temos que torcer pelos hermanos, os legítimos representantes do futebol brasileiro. Os legítimos representantes do futebol brasileiro são os... Argentinos. Essa é a verdade. Não há como fugir.
Nunca pensei em minha vida que fosse encontrar algum sentido vago de razão em Le Penn, líder ultranacionalista (bom eufemismo) francês, que ousou dizer (por outros motivos muito menos nobres, claro!) que aquelas seleções - tanto a que ganhou em 98, como a que foi vice, ano passado - não representavam o ideal francês. Faço dele as minhas palavras: há alguns anos que temos seleções que não representam o ideal brasileiro, começamos por 78, que perdeu; chegamos a 90, que perdeu; depois passamos a 94, que ganhou; depois a 98, que perdeu até chegarmos a de 2006, que... perdeu também. Curioso, o futebol de resultados analisado pela frieza dos resultados não deu tantos bons resultados.
(Excluo dessa lista a seleção do penta, porque quando o brucutu Emerson se machucou, o Felipão convocou o Ricardinho, longe de ser um Brucutu. Além do mais, ele deu liberdade aos três de frente para desequilibrarem. Assim vejo um pequeno, porém significativo passo para a humanidade naquele time)
Já mudei de assunto. Não queria cair na ladainha de jogar feio e ganhar X jogar bonito e perder. Pelo menos está provado que aqueles times que jogaram simplesmente pra ganhar, perderam bem mais que ganharam.
Vou-me embora ver o jogo.
Pra frente Brasil e Salve a seleção... Argentina!!!!!!
Ah, e antes que algum engracadinho venha dizer que perdemos em 82 e 86, eu digo: aquelas seleções tinham dois objetivos, ganhar e dar espetáculo. Portanto, eram mais ambiciosas que as que queriam maquiavelicamente apenas vitória. Aquelas seleções, se não ganharam, entraram para a história, deram o espetáculo, logo cumpriram 50% do seu objetivo. As outras, nem isso...
Amigos da Rede Globo!
Hoje serei mais verde a amarelo que Zagalo, que Dunga, que Pachecão, que aqueles que criaram o Pra frente Brasil. Hoje é dia de Brasil e Argentina, e nestes dias não dá pra ser outra coisa que não seja BRASILEIRO. Defensor do espírito da verde e amarela. Aquele espírito que fazia os adversários se borrarem de medo ao enxergaram a camisa amarela, a nossa canarinha.
Pois bem, em nome de tudo isso, hoje torcerei pela ARGENTINA. Com direito a por a camisa e tudo.
Brasileiros, uni-vos! A nossa honra está em jogo.
Temos que torcer pelos hermanos, os legítimos representantes do futebol brasileiro. Os legítimos representantes do futebol brasileiro são os... Argentinos. Essa é a verdade. Não há como fugir.
Nunca pensei em minha vida que fosse encontrar algum sentido vago de razão em Le Penn, líder ultranacionalista (bom eufemismo) francês, que ousou dizer (por outros motivos muito menos nobres, claro!) que aquelas seleções - tanto a que ganhou em 98, como a que foi vice, ano passado - não representavam o ideal francês. Faço dele as minhas palavras: há alguns anos que temos seleções que não representam o ideal brasileiro, começamos por 78, que perdeu; chegamos a 90, que perdeu; depois passamos a 94, que ganhou; depois a 98, que perdeu até chegarmos a de 2006, que... perdeu também. Curioso, o futebol de resultados analisado pela frieza dos resultados não deu tantos bons resultados.
(Excluo dessa lista a seleção do penta, porque quando o brucutu Emerson se machucou, o Felipão convocou o Ricardinho, longe de ser um Brucutu. Além do mais, ele deu liberdade aos três de frente para desequilibrarem. Assim vejo um pequeno, porém significativo passo para a humanidade naquele time)
Já mudei de assunto. Não queria cair na ladainha de jogar feio e ganhar X jogar bonito e perder. Pelo menos está provado que aqueles times que jogaram simplesmente pra ganhar, perderam bem mais que ganharam.
Vou-me embora ver o jogo.
Pra frente Brasil e Salve a seleção... Argentina!!!!!!
Ah, e antes que algum engracadinho venha dizer que perdemos em 82 e 86, eu digo: aquelas seleções tinham dois objetivos, ganhar e dar espetáculo. Portanto, eram mais ambiciosas que as que queriam maquiavelicamente apenas vitória. Aquelas seleções, se não ganharam, entraram para a história, deram o espetáculo, logo cumpriram 50% do seu objetivo. As outras, nem isso...
segunda-feira, julho 09, 2007
O FUTEBOL NA TV
Por Maio Spellman
Olá, blogueiros. Esta coluna dedico a minha esposa. No final, temos mais NAVALHADAS. Só corte. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo!!
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Recentemente numa dessas conversas amenas entre marido e mulher, chegamos a constatação de que vivemos sob a égide da ditadura do futebol na TV. Em princípio, eu não quis concordar com isso. Até ponderei que seria uma boa ditadura. Mas, pensando com calma a respeito do assunto e reavaliando os argumentos de minha esposa terminei por concordar: quantos meses por ano ficamos sem futebol na TV??
Somos submetidos a um arsenal de transmissões e de resenhas que redundam numa verdadeira ditadura futebolística sem precedentes. São jogos nas quartas, sábados e domingos dependendo da competição que está sendo transmitida.
No primeiro semestre temos campeonatos estaduais, Copa Libertadores, Copa do Brasil e Campeonatos Brasileiro série A e B divididos pelo vários canais abertos e pelas TV por assinatura. No segundo semestre as transmissões voltam-se para o Campeonato Brasileiro séries A e B. A série C só pelo bom e velho radinho de pilha. Os canais por assinatura ainda transmitem os principais campeonatos internacionais de futebol: Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Holanda. Não podemos esquecer dos jogos da seleção, jogos Pan-Americanos, Jogos Olímpicos, a Fórmula 1 e os circuitos dos esportes olímpicos: Vôlei, Natação, Vôlei de Praia, Futebol de Areia, Futebol de salão, etc, etc...
Sob esse prisma, o esporte da atualidade e seus organizadores estão empalmados pela lógica do mercado. Quanto mais transmissão mais verba publicitária, mais direitos de imagens dos jogadores , mais audiência, mais etc, etc... O esporte rendeu-se ao capital.
Quais as conseqüências disto?? Primeiro eu diria que há uma inflação de eventos esportivos. Algum atleta tem que disputar alguma coisa sob pena de algum empresário do ramo ter algum prejuízo financeiro. Ou alguma rede de TV também ficar no prejú.
A segunda é a desumanização do esporte. Os atletas estão avariados diante de tanta competição que disputam. No futebol, por exemplo, essa discussão está tomando contornos dramáticos. A grande preocupação é que ao se chegar numa Copa do Mundo de Futebol, marco maior do esporte planetário, os grandes craques já cheguem fatigados fisicamente. Na Copa de 2002 isso ocorreu com várias seleções. Por fim, a conseqüência de realmente deixar sem opção as pessoas que apreciam com moderação futebol e qualquer outro esporte. Sim, porque ninguém é obrigado a gostar de transmissão esportiva.
Resta-nos filtrar que futebol queremos ver, que narrador queremos escutar, que esporte queremos curtir e que resenha queremos entender. Temos profissionais do quilate dos canais ESPN e temos também muito picareta fazendo resenha por aí. Temos que primar pela qualidade do que está sendo transmitido. Nem toda partida de futebol, por exemplo, envolvendo times grandes da atualidade é o clássico que foi há 20 anos atrás.
Concluindo, o que temos hoje nas nossas TVs é esporte e futebol para os viciados. Para os Futebolátras. Aí eu me incluo, a duras penas.
NAVALHADAS
-ANA PAULA: Na verdade não sei se navalho. Ela posou nua. Logo após, foi reprovada no exame de aptidão física e vai arbitrar na quarta divisão do futebol paulista. Ganha R$ 1.100,00 para bandeirar, mas ganhou mais de R$ 400 mil para posar nua. Fiquei com pena. Vou aliviar a cara dela.
-LULA: Até votei no Lula, mas essa história dele defender e apoiar veladamente Renan Calheiros é duro e perigoso. Navalho outro dedo dele. Deixo o resto para que ele continue fazendo bem direitinho o que começou em 2003. Continua bem mesmo.
-RENAN CALHEIROS: Navalho porque quer ser rei do senado. Não tem hombridade. Navalho e dou navalhas para quem quiser navalhar comigo. Vamos também navalhar o gado dele e fazer churrasco.
-STF: Poderia haver uma operação navalha dentro do STF ou até mesmo uma operação “na vaia”, porque ninguém entende como um tribunal solta tanta gente envolvida em roubo, formação de quadrilha, etc, etc de modo legal e sereno como faz o STF. Tudo bem que todos devem ter o benefício da dúvida, mas confundir isso com impunidade é patriotada.
-CONGRESSO NACIONAL. Haja navalha para navalhar todos os deputados federais que estão nos enrolando com esse projeto da reforma política. “Os cara” são uns safadaços mesmo. Querem concorrer com o Judiciário para ver quem faz o excremento maior. Além de navalha vamos precisar de papel higiênico.
UFA!! CHEGA!!
Olá, blogueiros. Esta coluna dedico a minha esposa. No final, temos mais NAVALHADAS. Só corte. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo!!
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Recentemente numa dessas conversas amenas entre marido e mulher, chegamos a constatação de que vivemos sob a égide da ditadura do futebol na TV. Em princípio, eu não quis concordar com isso. Até ponderei que seria uma boa ditadura. Mas, pensando com calma a respeito do assunto e reavaliando os argumentos de minha esposa terminei por concordar: quantos meses por ano ficamos sem futebol na TV??
Somos submetidos a um arsenal de transmissões e de resenhas que redundam numa verdadeira ditadura futebolística sem precedentes. São jogos nas quartas, sábados e domingos dependendo da competição que está sendo transmitida.
No primeiro semestre temos campeonatos estaduais, Copa Libertadores, Copa do Brasil e Campeonatos Brasileiro série A e B divididos pelo vários canais abertos e pelas TV por assinatura. No segundo semestre as transmissões voltam-se para o Campeonato Brasileiro séries A e B. A série C só pelo bom e velho radinho de pilha. Os canais por assinatura ainda transmitem os principais campeonatos internacionais de futebol: Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Holanda. Não podemos esquecer dos jogos da seleção, jogos Pan-Americanos, Jogos Olímpicos, a Fórmula 1 e os circuitos dos esportes olímpicos: Vôlei, Natação, Vôlei de Praia, Futebol de Areia, Futebol de salão, etc, etc...
Sob esse prisma, o esporte da atualidade e seus organizadores estão empalmados pela lógica do mercado. Quanto mais transmissão mais verba publicitária, mais direitos de imagens dos jogadores , mais audiência, mais etc, etc... O esporte rendeu-se ao capital.
Quais as conseqüências disto?? Primeiro eu diria que há uma inflação de eventos esportivos. Algum atleta tem que disputar alguma coisa sob pena de algum empresário do ramo ter algum prejuízo financeiro. Ou alguma rede de TV também ficar no prejú.
A segunda é a desumanização do esporte. Os atletas estão avariados diante de tanta competição que disputam. No futebol, por exemplo, essa discussão está tomando contornos dramáticos. A grande preocupação é que ao se chegar numa Copa do Mundo de Futebol, marco maior do esporte planetário, os grandes craques já cheguem fatigados fisicamente. Na Copa de 2002 isso ocorreu com várias seleções. Por fim, a conseqüência de realmente deixar sem opção as pessoas que apreciam com moderação futebol e qualquer outro esporte. Sim, porque ninguém é obrigado a gostar de transmissão esportiva.
Resta-nos filtrar que futebol queremos ver, que narrador queremos escutar, que esporte queremos curtir e que resenha queremos entender. Temos profissionais do quilate dos canais ESPN e temos também muito picareta fazendo resenha por aí. Temos que primar pela qualidade do que está sendo transmitido. Nem toda partida de futebol, por exemplo, envolvendo times grandes da atualidade é o clássico que foi há 20 anos atrás.
Concluindo, o que temos hoje nas nossas TVs é esporte e futebol para os viciados. Para os Futebolátras. Aí eu me incluo, a duras penas.
NAVALHADAS
-ANA PAULA: Na verdade não sei se navalho. Ela posou nua. Logo após, foi reprovada no exame de aptidão física e vai arbitrar na quarta divisão do futebol paulista. Ganha R$ 1.100,00 para bandeirar, mas ganhou mais de R$ 400 mil para posar nua. Fiquei com pena. Vou aliviar a cara dela.
-LULA: Até votei no Lula, mas essa história dele defender e apoiar veladamente Renan Calheiros é duro e perigoso. Navalho outro dedo dele. Deixo o resto para que ele continue fazendo bem direitinho o que começou em 2003. Continua bem mesmo.
-RENAN CALHEIROS: Navalho porque quer ser rei do senado. Não tem hombridade. Navalho e dou navalhas para quem quiser navalhar comigo. Vamos também navalhar o gado dele e fazer churrasco.
-STF: Poderia haver uma operação navalha dentro do STF ou até mesmo uma operação “na vaia”, porque ninguém entende como um tribunal solta tanta gente envolvida em roubo, formação de quadrilha, etc, etc de modo legal e sereno como faz o STF. Tudo bem que todos devem ter o benefício da dúvida, mas confundir isso com impunidade é patriotada.
-CONGRESSO NACIONAL. Haja navalha para navalhar todos os deputados federais que estão nos enrolando com esse projeto da reforma política. “Os cara” são uns safadaços mesmo. Querem concorrer com o Judiciário para ver quem faz o excremento maior. Além de navalha vamos precisar de papel higiênico.
UFA!! CHEGA!!
quinta-feira, julho 05, 2007
Perder, ganhar, viver
Amigos, há exatos 25 acontecia a maior tragédia da minha vida. Maior? Não sei. Mas certamente a primeira. Ali, naquele Sarriá, numa tarde de lunes, aqui na Espanha, o futebol sofreu um de seus mais duros golpes. A paritir daquele dia as coisas mudaram. Muita gente começou a acreditar que pra ganhar tem que ser feio. Daí sai o Dunga. Aliás, que triste coincidência. A partida de ontem do Brasil foi hoje, aqui na Espanha. E que diferença! Ganhamos e é isso que importa. Coitados... Eles não conhecem a beleza. Um Amigo meu, que estava naquele fatídico dia, no malogrado estádio, resume aquele momento como uma poesia. "Aquilo foi uma poesia", nao se cansa de dizer. Concordo.
Por falar em poesia, no dia seguinte - ou, quem sabe ainda no mesmo dia, não sei - nosso poeta maior escreveu outra poesia, desta vez em forma de crônica para o Jornal do Brasil.
Perder, ganhar, viver
Carlos Drummond de Andrade
Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmuIas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas...
Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.
Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.
Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.
E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?
Ps. A foto acimao é de Reginaldo Manente, e foi a capa do Jornal da Tarde do dia seguinte.
Por falar em poesia, no dia seguinte - ou, quem sabe ainda no mesmo dia, não sei - nosso poeta maior escreveu outra poesia, desta vez em forma de crônica para o Jornal do Brasil.
Perder, ganhar, viver
Carlos Drummond de Andrade
Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmuIas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas...
Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.
Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.
Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.
E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?
Ps. A foto acimao é de Reginaldo Manente, e foi a capa do Jornal da Tarde do dia seguinte.
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