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domingo, janeiro 21, 2007

Sobre o Santinha,que levou uma enfiada do Porto, de Carauaru

Amigos, eu até já tinha escrito alguma coisa sobre a derrota de hoje. Mas depois de ler o comentário de Artur no Blog do Santinha, resolvi rasgar o que tinha escrito e simplesmente copiar o tal comentário, que, diga-se de passagem, diz tudo. Então, lá vai...

Qualquer criancinha de cinco anos sabia que o time formado não seria uma seleção. A criancinha, bem consciente, teria paciência.
Ela pensaria o óbvio ululante: vai se utilizar o PE para formar o time que vai disputar a segundona. Esse é o objetivo de todos os tricolores acima dos cinco anos. Uma boa campanha no PE é lucro.


Na série B, o Santinha terá um time competitivo, após as observações técnicas que o departamento de futebol e Givanildo farão durante o PE.

A criancinha de cinco anos balança a cabeça, concordando, pois é fácil de entender. Não é de se ver para crer, tá na cara!

Percebo que criancinhas abaixo de cinco anos estão escrevendo inconformadas. Não estão entendendo o que está acontecendo. São apressadas. Não compreendem o óbvio ululante.
Por favor, envelheçam, rápida e urgentemente!


Percebo também que tem criancinha acima de cinco anos inconformada com o time e com a diretoria. Aqui, peço paciência a todos, pois devemos respeitar a burrice. Esta não tem cor, sexo ou ideologia. É uma das poucas coisas universais nesse mundo velho e enfadado. Aos burros, meu elogio, pois a burrice influi muito mais no comportamento humano do que o fator sexual, ou econômico ou outro qualquer.

Por favor, só peço que não atrapalhem…

PorAqui, na terra del rey, as coisas vão tomando seus devidos lugares. O Barça voltou a ser líder, o Real naquela: perde uma e ganha outra, mas vai se mantendo perto, e o Sevilla parece que começa a perder forças. Ah, e o Bétis, time que escolhi para torcer, vai muito parecido com meu time do Brasil...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Proposta para salvar o mundo

Amigos, continuando, não as retrospectivas, mas a série de textos não emprestados, segue este do Xico Sá, também da Folha de SP de hoje...

boa leitura...

Ps. Amanhã vou responder aos milhões de leitores que me cobraram a falta de um texto sobre a vitória do Inter, no Japão.


XICO SÁ
Folha de SP

Proposta para salvar o mundo

Tem de tudo, desde mudar hora de jogo e fazer o time ter pelo menos um artista até proibir traje social no banco

AMIGO torcedor, amigo secador, o espumante da empáfia e os fumos da imodéstia fizeram do outrora humilde cronista, nesta justa hora de ilusões e foguetórios, um dom Quixote em branco e preto, um Sancho com a 7 de Garrincha às costas, um salvador da pátria em destemidas travas e chuteiras, um Lazarilho que sabe rir das próprias quedas, um rei Sebastião que sai do ferro velho da sala de troféus para voltar à glória.

Daí esta breve tábua para incrementar a melhor das brincadeiras dos homens, a velha prática ludopédica: que seja abolida a lei do impedimento, os tira-teimas e os bate-bocas das mesas-redondas que discutem se a ponta da napa do atacante estava ou não adiante da sombra do beque no justo instante em que a bola descaiu minguante na área.

Antes, porém, a patroa, alimentando o nosso papagaio Flobé, ainda com os farelos natalinos, protesta, é justo: "Logo agora, desalmado, que nós, fêmeas avançadas, manjamos também da regra?!".

Uma pena, mas, na nossa modesta proposta, a peleja oficial vai ganhar os requintes da pelada, donde o espírito é livre de quaisquer amarras, donde o gol, qual um coito de um asceta priápico, jamais pode ser interrompido antes da pequena morte.

Que os gandulas possam aprontar suas lambanças, sendo permitido só a entrada de um a cada vez em campo, mas tão-somente para ações precisas, como empurrar para o fundo do barbante aquela bola que cisca na marca da cal como uma galinha teimosa que não entra no chiqueiro.

Que o jogo de futebol comece sempre antes da novela da Globo, pois macho que é macho chora bem antes da fêmea e por motivo muito mais nobre. Que o vinho e a cerveja sejam liberados nos estádios de São Paulo, como nas demais praças do país -nem por isso mais violentas do que Pacaembus e Morumbis.

Que o corintiano saía do seu bairro com o são-paulino, um tirando onda do time do outro, que apostem engradados, mas deixem de se agarrarem aos tapas e se ferirem com armas, o que só denota um enviesado amor epidérmico, mais do que sexo.

Que cada time tenha pelo menos um craque responsável só pelo espetáculo, nada mais. Se ajudar o time, bueno, mas não será preciso. Mesmo que o clube não atenda a cota mínima de um artista, que tenha um ponta à antiga, dos ciscadores, dos que "fazem que vão e acabam fondo", dos barrocos, que pegam a bola e cegam pelos labirintos do campo.

Que o responsável pelo corte do gramado, cabeleireiro de sonhos coletivos, tenha feito ao menos um gol na vida, de preferência na várzea, e que adore futebol, pois tudo começa com ele e sua poda, que vale tanto quanto a mais intrigante das táticas. Que ele saiba a máxima bovina de Gentil Cardoso (aqui citada equivocadamente como de Neném Prancha), a da bola de couro, do couro de vaca, da vaca que come grama.

Que seja proibido, aqui nos trópicos, o uso de terno e gravata pelos técnicos, moda que tem adoecido, de suor e imobilismo, os "professores". Seja na caldeira santista ou no inferno carioca. Eles acham que Armani ganha jogo, meu Deus, que a tristeza do Jeca tome conta de suas pobres almas. A mania chegou ao Mirandão, o belo estádio do
Crato, no Cariri, onde estive há pouco, suando em bicas como os cronistas das antigas.

Edgar, o corvo
Aos amigos do RN, que reclamam da falta de palpite para o certame potiguar, que anotem: Mossoró, fácil, fácil. Essa invicta cidade, aliás, foi a única que pôs Lampião para correr, vergonhosamente, dos seus arredores. Pense num povo bravo!

Hai-kai ludopédico (I)
Domingo sem futebol
Os deuses brincam
De chutar o sol.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

A melhor coisa de 2006

Amigos, continuando e finalizando a seqüência que ainda não comecei de retrospectivas de 2006, tomei a liberdade de não pedir emprestado esse texto do Torero que encontrei na Folha de SP de hoje. Ainda bem que Parreira é um técnico com espírito vencedor!!!!




JOSÉ ROBERTO TORERO

A melhor coisa de 2006

Sem dúvida, foram os 2 a 0 sobre a Itália na final da Copa do Mundo, com show de Ronaldinho, Kaká e Robinho

RENOVADA LEITORA , ressacado leitor, neste primeiro texto do ano resolvi falar sobre a melhor coisa que aconteceu no esporte em 2006. E isso não foi a vitória de Marílson na Maratona de Nova York, não foi o bicampeonato mundial da seleção masculina de vôlei e não foi o ouro de Diego Hypólito na final da Copa de ginástica disputada em São Paulo.

Também não foi o campeonato mundial de clubes conquistado pelo Internacional, não foi o Brasileiro vencido pelo São Paulo e muito menos a volta do Atlético-MG à primeira divisão nacional.

A melhor coisa de 2006, caros amigos, foi o Brasil vencer a Copa do Mundo da Alemanha!

Sim, houve momentos em que todos duvidamos que isso fosse acontecer. Depois da magra vitória sobre a Croácia e do pouco convincente triunfo diante da Austrália, parecia que sairíamos logo da Copa. Parecia. Mas aí veio o jogo contra o Japão...

Aquela partida foi a redenção do futebol nacional. Com a entrada de Cicinho, Gilberto, Gilberto Silva, Juninho e Robinho, voltamos a parecer com a seleção brasileira.

Estava na cara que os dois laterais reservas eram melhores opções que nossos veteranos Cafu e Roberto Carlos. E Gilberto Silva e Juninho funcionaram muito bem como volantes, dando mais mobilidade a Kaká e Ronaldinho. Isso sem falar em Robinho, que deu a chama que faltava à equipe.

Muitos pensaram que Parreira fez estas mudanças apenas porque o time já estava classificado, e que, nas oitavas-de-final, contra Gana, ele voltaria com os antigos titulares. Contudo Parreira teve coragem e barrou os medalhões, colocando sangue novo na equipe. Foi uma decisão acertada e que não deve ter sido fácil. Nestes momentos é que se vê quem realmente tem o destino do vencedor.

A mudança deu o resultado esperado, o que pôde ser comprovado com os números da vitória sobre Gana, um 4 a 0 incontestável, com gols de Robinho, Kaká, Ronaldinho e Fred, que entrou no lugar de Ronaldo, vetado na última hora por falta de condições físicas. Uma pena, mas há males que vêm para bem.

O passo seguinte foi ainda mais heróico.

Nós, torcedores, ainda sonharemos muito com este jogo contra a França. É bem verdade que a turma de Asterix até poderia ter aberto o placar naquela cobrança de falta em que Zidane colocou a bola na direção de Henry. Mas Gilberto estava atento e evitou o pior. Aliás, falando em Zidane, ele fez uma péssima partida, sendo muito bem marcado por Gilberto Silva e levando um humilhante chapéu de Fred. Pior que isso, só mesmo a cabeçada em Lúcio, que causou sua expulsão. Um triste fim de carreira para o melhor jogador da história da França.

Enfim, foi uma vitória épica, e o gol de Ronaldinho Gaúcho, aquela mágica bicicleta, será exibida em videoteipe até o fim dos nossos dias.

Depois veio a final contra a Itália, que, para muitos, era a favorita. Mas as pedaladas de Robinho em cima de Cannavaro logo no início da partida desmoralizaram a Azzurra. E o gol de Kaká, sob as pernas de Buffon, acabou de vez com qualquer esperança dos italianos.

Vale destacar o sangue frio de Ronaldinho, que, mesmo provocado todo o tempo por Materazzi, apenas ria das provocações inimigas e acabou por vingar-se com aquele belo gol de falta, cometida, ironicamente, pelo próprio Materazzi.

Ah, que inesquecíveis 2 a 0!

Estava escrito que nós seríamos os campeões do mundo.

Este, sem dúvida, foi o melhor momento do esporte em 2006. E, ao lembrá-lo, confesso que uma lágrima rola pela minha face.

Uma pesada e salgada lágrima.