Mostrando postagens com marcador Maio Spellman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maio Spellman. Mostrar todas as postagens

terça-feira, outubro 09, 2007

JULHO:PAN-TAM-PAC-TRE

Por Maio Spellman


E o mês de julho foi o mês das siglas. As siglas PAN,TAM,PAC,TRE tiveram sua importância e relevância redobradas naquele mês e alcançaram o mais simples do cidadão. Não há aqui nenhuma constatação sobrenatural ou mística, mas as siglas nos orientaram no mês de Julho. Compulsaram nossas emoções nos fizeram falar sobre elas.

PAN- Os jogos Pan-americanos reúnem apenas os países das américas. A maior delegação foi a do Brasil. A abertura foi marcada por vaias ao Presidente da República, que por sua vez também não abriu oficialmente os jogos. Na minha humilde opinião, foi a maior manifestação de preconceito de classe que o Presidente Lula sofreu durante todo seu mandato. A impressão que deu, inclusive a própria mídia contribuiu para isso, foi a de que o PAN foi do Rio de Janeiro e não do Brasil. No final, o Brasil foi bem nas disputas pelas medalhas, mas nada vai apagar da história que pela primeira vez, um Presidente da República não abriu uma edição destes jogos.

TAM- Essa crise aérea é a soma de todas as incompetências e de todas as ambições que a sociedade constrói para poder compulsar suas sórdidas emoções e dar vazão a sórdidas atribuições de cargos que deveriam ser ocupados por quem de direito. Setores da mídia quiseram manipular o acidente da TAM para inventar uma crise política. Só faltaram dizer que foi o governo Lula que sabotou a aeronave e fez travar o manete na função aceleração. O acidente da TAM é fruto do fracasso de uma sociedade que não consegue assumir suas responsabilidades. A culpa sempre é do outro. Os acertos são “meus”.

PAC- O Programa de Aceleração do Crescimento é uma grande proposta contra o imobilismo que caracterizou mandatos e gestões desse País no que diz relação a saneamento e infra-estrutura das cidades. A PB recebeu em torno de trezentos milhões de reais, divididos entre João Pessoa, Campina Grande e algumas cidade da grande João Pessoa. O País que originou na política um ACM, também deu origem a um Lula. Infelizmente não vou poder votar novamente em Luís Inácio Lula da Silva.

TRE- O Dia 30 de Julho entrou para a história como o dia em que o Tribunal Regional Eleitoral cassou um Governador do Estado. O atual Governador da PB foi cassado, recorreu ao TSE e continua no cargo até o julgamento, mas além desse processo terá que enfrentar mais dois. Que a cassação sirva de lição!! Os gestores públicos desse País têm que parar com essa história de sentirem-se acima da Lei. A sociedade produz seus homens públicos. Estes poderão ser bons ou podem ser ruins, mas jamais poderão estar acima da Lei.

NAVALHADAS

-ARBITRAGEM DE FUTEBOL: Ter um campeonato de pontos corridos exige uma arbitragem de alto nível. Coisa que não acontece no futebol brasileiro. Os Juízes são inseguros, claudicantes e omissos em lances capitais. Ou muda os árbitros ou muda a CBF e sua Comissão de arbitragem. Ou os times se mudam do campeonato.

-CASSETA & PLANETA: Nunca gostei do Bussunda, mas parece-me que depois de sua morte a qualidade do programa caiu tanto que está precisando subir muito para ser baixo. As piadas são de péssimo gosto e o texto é sofrível .Bordões são repetidos e as piadas com o Presidente continuam. Obviamente que em relação ao Presidente Lula a abordagem é bastante diferente se comparada à abordagem que era dirigida a Itamar Franco ou a FHC. O Presidente Lula sempre é tratado como bêbado falastrão. Sempre surge na telinha acompanhado por uma garrafa. Por essas e outras o programa começa a sofrer processos na justiça.

-GREVE: Na UFPB os funcionários estão em greve há mais de 90 dias e não estão fazendo a mínima falta ao funcionamento da instituição. Apenas causam transtornos ao fecharem portões e proibirem a entrada de veículos. Semana passada alunos do CCT arrombaram um dos portões. O movimento não tem comando, não tem organização e é completamente despolitizado. Não tem nenhuma condição de sentar na mesa de negociação e por isso decretaram a greve de modo precipitado e inadequado. Isolado. Equivocado. Triste!!

SÓ!!

Nota do Editor: O texto foi enviado no dia 1 de setembro e, por um problema de memória, só foi publicado agora.

segunda-feira, julho 09, 2007

O FUTEBOL NA TV

Por Maio Spellman

Olá, blogueiros. Esta coluna dedico a minha esposa. No final, temos mais NAVALHADAS. Só corte. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo!!
-----------------------------------------------------------------------------------------------

Recentemente numa dessas conversas amenas entre marido e mulher, chegamos a constatação de que vivemos sob a égide da ditadura do futebol na TV. Em princípio, eu não quis concordar com isso. Até ponderei que seria uma boa ditadura. Mas, pensando com calma a respeito do assunto e reavaliando os argumentos de minha esposa terminei por concordar: quantos meses por ano ficamos sem futebol na TV??

Somos submetidos a um arsenal de transmissões e de resenhas que redundam numa verdadeira ditadura futebolística sem precedentes. São jogos nas quartas, sábados e domingos dependendo da competição que está sendo transmitida.

No primeiro semestre temos campeonatos estaduais, Copa Libertadores, Copa do Brasil e Campeonatos Brasileiro série A e B divididos pelo vários canais abertos e pelas TV por assinatura. No segundo semestre as transmissões voltam-se para o Campeonato Brasileiro séries A e B. A série C só pelo bom e velho radinho de pilha. Os canais por assinatura ainda transmitem os principais campeonatos internacionais de futebol: Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Holanda. Não podemos esquecer dos jogos da seleção, jogos Pan-Americanos, Jogos Olímpicos, a Fórmula 1 e os circuitos dos esportes olímpicos: Vôlei, Natação, Vôlei de Praia, Futebol de Areia, Futebol de salão, etc, etc...

Sob esse prisma, o esporte da atualidade e seus organizadores estão empalmados pela lógica do mercado. Quanto mais transmissão mais verba publicitária, mais direitos de imagens dos jogadores , mais audiência, mais etc, etc... O esporte rendeu-se ao capital.
Quais as conseqüências disto?? Primeiro eu diria que há uma inflação de eventos esportivos. Algum atleta tem que disputar alguma coisa sob pena de algum empresário do ramo ter algum prejuízo financeiro. Ou alguma rede de TV também ficar no prejú.

A segunda é a desumanização do esporte. Os atletas estão avariados diante de tanta competição que disputam. No futebol, por exemplo, essa discussão está tomando contornos dramáticos. A grande preocupação é que ao se chegar numa Copa do Mundo de Futebol, marco maior do esporte planetário, os grandes craques já cheguem fatigados fisicamente. Na Copa de 2002 isso ocorreu com várias seleções. Por fim, a conseqüência de realmente deixar sem opção as pessoas que apreciam com moderação futebol e qualquer outro esporte. Sim, porque ninguém é obrigado a gostar de transmissão esportiva.

Resta-nos filtrar que futebol queremos ver, que narrador queremos escutar, que esporte queremos curtir e que resenha queremos entender. Temos profissionais do quilate dos canais ESPN e temos também muito picareta fazendo resenha por aí. Temos que primar pela qualidade do que está sendo transmitido. Nem toda partida de futebol, por exemplo, envolvendo times grandes da atualidade é o clássico que foi há 20 anos atrás.

Concluindo, o que temos hoje nas nossas TVs é esporte e futebol para os viciados. Para os Futebolátras. Aí eu me incluo, a duras penas.

NAVALHADAS

-ANA PAULA: Na verdade não sei se navalho. Ela posou nua. Logo após, foi reprovada no exame de aptidão física e vai arbitrar na quarta divisão do futebol paulista. Ganha R$ 1.100,00 para bandeirar, mas ganhou mais de R$ 400 mil para posar nua. Fiquei com pena. Vou aliviar a cara dela.

-LULA: Até votei no Lula, mas essa história dele defender e apoiar veladamente Renan Calheiros é duro e perigoso. Navalho outro dedo dele. Deixo o resto para que ele continue fazendo bem direitinho o que começou em 2003. Continua bem mesmo.

-RENAN CALHEIROS: Navalho porque quer ser rei do senado. Não tem hombridade. Navalho e dou navalhas para quem quiser navalhar comigo. Vamos também navalhar o gado dele e fazer churrasco.

-STF: Poderia haver uma operação navalha dentro do STF ou até mesmo uma operação “na vaia”, porque ninguém entende como um tribunal solta tanta gente envolvida em roubo, formação de quadrilha, etc, etc de modo legal e sereno como faz o STF. Tudo bem que todos devem ter o benefício da dúvida, mas confundir isso com impunidade é patriotada.

-CONGRESSO NACIONAL. Haja navalha para navalhar todos os deputados federais que estão nos enrolando com esse projeto da reforma política. “Os cara” são uns safadaços mesmo. Querem concorrer com o Judiciário para ver quem faz o excremento maior. Além de navalha vamos precisar de papel higiênico.

UFA!! CHEGA!!

domingo, maio 27, 2007

A NAVALHA VERDE

Por Maio Spelman

Olá, blogueiros. Hoje iremos tratar do campeonato paraibano e de seu campeão, o Nacional de Patos. Dedico esse artigo para minha amiga Aninha que está em Londres vestida de Nacionalina. Estamos apresentando a partir de hoje a seção NAVALHADAS. Só corte. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo!!

***

A operação navalha da PF deu-me inspiração para concluir que o futebol é uma navalha. Aqui na PB, o Nacional de Patos foi ou não uma navalha para seus adversários do campeonato paraibano? Das 25 partidas, o Nacional, venceu treze, empatou seis e perdeu seis. É CAMPEÃO depois de cinco vice-campeonatos (78-89-90-91 e 05). Demorou!!

Vencedor do primeiro turno, o Nacional afrouxou no segundo e teve que decidir o título contra ao Atlético de Cajazeiras que conquistou o segundo turno em cima do Treze. Nas semifinais do primeiro turno, detonou o arqui-rival, Esporte. Na final do turno navalhou o Sousa. Nas semifinais do segundo, não passou pelo Atlético. Foi navalhado. Final decretada: Nacional x Atlético: o sertão já era campeão. Depois de cinco vice-campeonatos, o Nacional de Patos não deixaria escapar a chance de ser campeão pela primeira vez. Após derrota por 2x1 na cidade de Cajazeiras, o time fez 3x0 na cidade de Patos, sagrando-se campeão numa navalhada de quatro golpes. Merecido campeão. Desde 2000 que o Nacional de Patos tem feito boas campanhas no certame estadual. Aliás, os times sertanejos de modo geral têm sido navalhas para as equipes “grandes” da PB.

Os times do sertão esse ano jogaram mais e espernearam menos dentro de campo. Deram menos bordoada, reclamaram menos de arbitragem e catimbaram menos também. Não é por acaso que os representantes da Paraíba nas competições nacionais de futebol desse segundo semestre e da Copa do Brasil/08, foram os times sertanejos. O Nacional de Patos estará participando da série C e da Copa do Brasil/08. O Atlético estará na série C e o Sousa, estará na Copa do Brasil/08. Vamos ver agora se os times terão condições de bancar uma série C. Se é difícil para os “grandes” da Paraíba, imagine para os modestos e valentes times do sertão.
Moral da história: navalhe ou serás navalhado. O futebol é uma navalha.

NAVALHADAS:

-ANA PAULA, aquela bandeirinha bonitinha, mas ordinária, aprontou novamente. Dessa vez para cima do glorioso Botafogo/RJ, pela Copa do Brasil. Aliás, é ordinário todo árbitro que ganha em torno de seis mil reais para apitar um jogo e erra grotescamente.

-O REITORADO atual da UFPB faz um mandato tacanho. Tudo bem que tem feito investimentos em segurança e construído novas de salas de aula, mas na UFPB funcionário está dando três horas de expediente, Conselho de Centro não funciona e tem professor que só que dar aula até a quarta-feira porque reside em outro Estado da federação. E pode isso?

-ALGUNS JUÍZES do STJ e da STF estão dizendo, fazendo coro com os oposicionistas ao governo Lula, que a PF tem praticado excessos em suas operações e que as prisões preventivas são arbitrárias. Vem cá, um pobre rouba uma lata de sardinha e fica preso de seis a dez meses porque o hábeas corpus nunca é julgado. Um rico que rouba descaradamente e ainda paga propina para isso não pode sofrer o excesso de ser preso. Começo a acreditar que o problema da segurança e da injustiça no nosso país são alguns “juízes” e “desembargadores” que vivem no país das maravilhas, em virtude de seus altos salários. Excessivo, só os salários deles. BRAVO PF!! MANDA VER!!

CHEGA DE NAVALHADAS POR HOJE.

sexta-feira, abril 27, 2007

SOU ANTINETO

Por Maio Spellman

Acalmem-se. Não me refiro aqui aos netos dos avós. Refiro-me ao suposto comentarista de futebol, “Neto”, da TV Bandeirantes. Depois de suas declarações ao longo da participação do Corinthians na Copa do Brasil, eu me tornei um antineto.

O que é um comentarista? Quais as características que um comentarista de TV precisa ter para alcançar o grande público? Vejam que especifiquei “comentarista de TV” porque acho que é diferente ser comentarista na TV e no Rádio. As características são as que justamente, Neto não possui. Um bom comentarista é plural, comedido, imparcial, bem-humorado, cordial e humilde. “Neto” é embaçado, monolítico e mal-humorado. Embora tenha bastante propriedade daquilo que fala, só comenta bem os jogos do Corinthians. Agora vou explicar duas de suas lambanças nesta Copa do Brasil em participações do ex-timão.

Dia 14/03. Copa do Brasil/1ª fase. Treze x Corinthians. Durante um link direto do estádio “O amigão”, de Campina Grande, para o programa esportivo “Jogo aberto”, por volta do meio-dia, “Neto” discute com o falastrão, técnico do Treze, Arnaldo Lira, numa conversa que descamba para mérito de treinadores e respeito eterno ao Corinthians. O resultado do jogo todos sabemos, Treze 0x2, mas a grande mídia esportiva, inclusive a bandeirantes, utilizou a discussão, numa clara manipulação de fatos, para dizer que o Treze queria humilhar o Corinthians e que por isso o troco foi dado dentro de campo. Triste de um “time grande” de futebol que precise ganhar do Treze da Paraíba para renovar suas forças. Triste da mídia que faz esse discurso para um time de futebol. Mas, o futebol que tem a mídia que merece.

Dia 26/04. Copa do Brasil/2ª Fase - Oitavas. Corinthians 0x2 Náutico. O Corinthians é eliminado da competição pelo Náutico/Pe em pleno Pacaembu e apesar da mudança de tom antes da partida, porque o Náutico não é time da Paraíba e porque está na série “A” do brasileirão, o que mais se ouviu do grande comentarista “Neto” durante o programa, foi esbravejos amaldiçoando o Corinthians do torcedor “Neto”. Em nenhum momento respeitou ou reconheceu o futebol jogado pelo time de Recife.

Estou muito feliz com essa eliminação do Corinthians. Não porque sou torcedor do Náutico, ou porque sou nordestino, ou porque o Náutico vingou meu Treze véi da Paraíba. Estou feliz e andando nas nuvens porque sei que o grande comentarista “Neto”, está de cabeça inchada. E será assim daqui para frente. A cada derrota corintiana, minha felicidade aumentará. Cada vez mais sou anticorintiano e antineto. Sim... antiflamenguista também.

Dá-lhe BOTA!! Dá-lhe BOTA!!.

domingo, fevereiro 25, 2007

ATIVISMO ANTI-AIDS: QUAL ?

Por Maio Spellman

A temporada de futebol já começou, mas o assunto hoje ainda não é futebol. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo. BOA LEITURA!!


O ativismo atual anti-aids possui novas configurações em virtude do estabelecimento inelutável da globalização e da parceria irremediável estabelecida entre Estado/ONGs. O ativismo, das décadas de 80 e 90, de rua, de passeatas, protestos, abaixo-assinados e de pressão em portas de gabinetes dos gestores governamentais de saúde, transmutou-se atualmente para o ativismo de execução de projetos.

O maior reflexo do impacto da globalização na luta contra a aids foram as transformações ocorridas no interior das ONGs. O modo de ser onguista foi capturado pelo reordenamento do capital, mediante a execução de projetos e também pelo fortalecimento da institucionalização da aids. Ao mesmo tempo em que as ONGs consolidam-se como parceiras do Estado, correspondendo a vigência do modelo globalitário, consolidam também o desenvolvimento institucional da doença porque precisam de um público alvo para executar seus projetos.

Ao enjaular as ONGs, a globalização enjaulou a própria sociedade civil. Pergunta-se: até que ponto as ONGs/AIDS têm se afastado de sua agenda de mobilização ao formalizarem parcerias com o Estado? De qualquer maneira, as ONGs ganharam relevância ao firmarem parcerias com o setor público governamental para execução de projetos.

As novas configurações do ativismo anti-aids deste inicio de século, no Brasil, podem ser resumidos em dois aspectos, conforme apontam resultados da pesquisa de mestrado realizada com membros do Grupo de Apoio à Vida-GAV/Campina Grande: o enfraquecimento/desmotivação pela realização de um ativismo coletivo e a adesão ao tratamento como ferramenta de motivação do portador do vírus HIV para a luta anti-aids.

Em relação ao primeiro aspecto, o enfraquecimento do ativismo coletivo é a opção pelo privatismo, pelo anonimato, presentificado pelo apoio dos portadores à execução de projetos. É o novo modus operandi da ação anti-aids caracterizada pela diminuição do estímulo para lutar, diminuição de voluntários, diminuição da freqüência do portador na ONG, abandono da mobilização em virtude da melhoria da qualidade do tratamento dos portadores, burocratização da ONG em virtude da execução de projetos e pela parceria Estado/ONG.

O segundo aspecto relacionado à prática do ativismo anti-aids diz respeito à adesão ao tratamento como ferramenta de motivação para a luta anti-aids, tendo como alicerce o fato da maioria dos portadores sentirem-se ativistas sem participar das atividades e o afastamento por opção, que tem relação direta com a perda do poder de aglutinação que as ONGs detinham.

Aqui se percebe quanto o poder sobre o corpo é exercido dentro das ONGs. Ao aderir ao tratamento, o portador assume não um procedimento de saúde, mas uma identidade. Passam a ser os monitorados, “o público alvo”, os que recebem tratamento e medicamentos gratuitos. São “os da ONG”. Os cadastrados nos serviços de saúde, que procedem caracterizando e outorgando o biopoder sobre seus corpos.

A ONG, por sua vez, cumpre seu papel de regular a adesão ao tratamento aceitando os ditames da execução de projetos que incluam atividades de formação de grupos de adesão em detrimento de atividades que possam questionar que adesão é essa ou ao que aderir, desconsiderando, assim, que a adesão ao tratamento é um processo de emancipação psicossocial no sentido de que ao aderir ao tratamento o portador estará se assujeitando aos padrões dos medicamentos na tentativa de se sentir melhor e de debelar a doença. O portador, aconselhado, lançará mão das “técnicas” para tomar a medicação e assim se identificar com o tratamento e, conseqüentemente, com a adesão.

Também podemos citar como novas configurações do ativismo, realização de eventos, participação em câmaras técnicas de discussão, a valorização do trabalho dos técnicos na execução de projetos, atividades de prevenção em escolas e empresas, orientação de prevenção a portadores do vírus e como sendo uma prática diferente da militância, pois o ativista é mais organizado e tem metas a alcançar e cumprir.

Portanto, o movimento anti-aids contemporâneo está enjaulado e testemunha silenciosamente a captura da inteligência, da imaginação, da sensibilidade, da criatividade, da afetividade e da força dos portadores do vírus da aids.

As entidades precisam refletir sobre como transformar uma situação de mera execução de projetos, que torna a ONG uma instituição conservadora e funcionalista, para escaparem da perspectiva de mercado, da superficialidade, da não singularização e da produção de consensos que tornam os portadores homogêneos em pensamentos atos e omissões.

terça-feira, janeiro 16, 2007

O CHOQUE DE GESTÃO DA PARAÍBA

Por Maio Spellman

Enquanto a temporada de futebol não se inicia, vamos falar de política. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo. FELIZ 2007!!

As recentes medidas tomadas pelo reeleito governador da PB as quais atingiram o funcionalismo estadual nas categorias concursados e cargos de confiança (apadrinhados), motivadas pela necessidade de conter despesas, apenas comprovaram, a falência do estado em termos de zelo pelo serviço público. O que significa para a população e para o funcionário o horário corrido, das 12h às 18h nas repartições públicas? O que significa o servidor poder optar pela disponibilidade, recebendo menos salário?

Fosse o Governador, humilde e democrático como demonstra ser em suas aparições e discursos públicos, teria criado um plano de contigenciamento que envolveria toda sociedade. Teria chamado à participar representantes das Universidade públicas do Estado, representantes dos conselhos profissionais das diversas categorias e representantes do funcionalismo público estadual, os mais atingidos com tais medidas. Sob esta ótica, as medidas possuem um caráter ditatorial. Mais: outros Estados que possuíam rombo maiores do que a PB, tomaram medidas diametralmente opostas: Enxugaram o organograma da administração, aumentaram a capacidade de arrecadação, estabeleceram metas no gerenciamento de despesas, criaram critérios para contratação dos cargos comissionados e implantaram indicadores e bonificações para os servidores públicos.

A sensação que se tem é a de que o atual governador, pairando por aqui através de ancestrais e capachos políticos, desde 1990, percebeu, que depois de tanto tempo, houve um estouro do orçamento do Estado. Inegavelmente, as evidências mostram que depois de mais de dez anos de enorme desmando administrativo, depois de farras inomináveis promovidas com o dinheiro público para abrigar todo tipo de apradrinhado, assecla, cumpincha, assessor para porra nenhuma-ASPONE, percebendo salários de até R$ 3.000,00, no governo estadual da grande família, depois de anos de erros de prioridade de administração que optou por dar pão e circo ao povo, o governador reeleito viu que a falência estatal fica logo ali, porque está em extinção o trigo para fazer o pão e a lona para cobrir o circo. Divide o ônus com todos. Já o bônus...

Os tempos são outros. A conjuntura atual força uma busca pela moralidade no trato da coisa pública e empurra os governantes a agirem com sapiência e ética. A conjuntura os tem forçado a substituir velhas práticas ditatoriais do coronelismo por práticas sábias, lúcidas e éticas a luz da lei e da própria consciência. Neste sentido, qualquer choque de gestão deverá respeitar a Lei e ter um caráter solidário e humano.

Não sei se o Governador foi movido por um momento de sapiência, lucidez e ética. Não sei se foi medo, porque “o medo tem muitos olhos e vê coisas no subsolo”(Cervantes). Também não sei se as medidas darão certo e acredito que nem o próprio governador sabe. Apenas sei que a Paraíba nunca enriqueceu com a forma Cunha Lima de governar.


spellman@uol.com.br