sábado, dezembro 31, 2005

Esporão do Galo

Oi amigos blogueiros. Continuando nossas colunas sobre o Treze Futebol Clube, hoje está disponível uma sobre a conquista do paraibano, em junho, pelo Treze. Só para situar, a final do paraibano 2005 foi disputada em dois jogos nos quais enfrentaram-se o vencedor do primeiro turno, o Treze, e o vencedor do segundo turno, o campinense. Em 29.05, o Treze venceu pelo placar de 3x1 e em 04.06, o Treze venceu pelo placar de 3x0. Inquestionável título. Boa leitura e divirtam-se. FELIZ 2006.

Maio Spellman

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Queijo de coalho e queijo do reino

Os dirigentes do botafogo carioca são daqueles que comem queijo de coalho e arrotam queijo do reino. Ontem, o diretor de futebol do alvinegro, um sujeito chamado Rivadávia, ou Rodoviária, ou coisa parecida, ficou estarrecido e indignado com uma declaração do meia Rosembrick, do Santa Cruz. O atleta tricolor disse apenas que, “se for para ir para um clube desorganizado e que não paga seus jogadores, eu prefiro ficar por aqui mesmo”. Foi o bastante para o estacionamento de ônibus rememorar as glórias do alvinegro carioca. Disse que o botafogo foi o clube que mais cedeu jogadores à seleção brasileira em toda a história e que não está mais interessado no futebol do jogador que apenas comporia o elenco. Aliás, essa história de jogadores e seleção é igual ao hexa do náutico. Até parece que é verdade, mas foi preciso que arqueólogos e paleontólogos de Harvard entrassem na jogada para comprovar o fato. Parece que isso aconteceu na época neandertalense.

Por trás dessa história de chiliques cariocas, há uma atitude bastante madura do atleta pernambucano e uma falta completa de compreensão da mudança dos tempos do chiliquento terminal de passageiros. Acontece que, pelo menos Rosembrick, já entendeu que o melhor para a sua carreira, no momento, é, ou ficar no Santa e se firmar de vez na série A, ou sair, mas para um clube organizado no qual ele possa mostrar seu futebol. Se ele fosse para o botafogo, certamente daria um passo em falso. Esse não é exatamente o perfil dos cariocas. É público e notório que o tradicional clube carioca vive atolado em dívidas e que o último baluarte da salvação, ou seja, Bebeto de Freitas, há algum tempo foi acometido pela síndrome do PT. Aquela em que o sujeito se elege com um discurso de oposição, prometendo tirar o clube (ou o país) do buraco de forma séria e correta e, tempos depois, se alia com o que há de pior. Em tempo, Bebeto agora é aliado de Montenegro, aquele que tem um pequeno instituto de pesquisas de opinião que não dá uma dentro.

Rosembrick conhece a situação financeira do Santa e, por isso mesmo, disse o que disse. Aqui ele é ídolo, lá ele seria mais um. Em ambos o mês tem bem mais de trinta dias.

Mudando de assunto sem sair do tema

Parece (eu disse PARECE) que finalmente os dirigentes do Santa tomaram uma atitude pensando no clube e não nos seus pequenos bolsinhos. A decisão do presidente de só negociar algum jogador pelo valor da multa rescisória é fundamental para, tanto os jogadores que lá estão, quanto para os dirigentes dos “grandes clubes caindo aos pedaços” brasileiros entenderem que, ao que parece (novamente PARECE), os clubes nordestinos, pelo menos o Santinha, não vão mais aceitar essa história de vender um bom jogador, ou pior, uma promessa, por qualquer tostão furado. Além do mais, é assim que a coisa deve ser feita. Em setembro, salvo engano, os dois principais jogadores do Santa tiveram seus contratos renovados e um bom aumento nos seus vencimentos, para justamente rederem um bom dinheiro em caso de negociação. Agora me vem qualquer clubinho carioca querendo levar um sujeito que vale R$ 6 milhões pela bagatela exorbitante de R$ 600 mil. Ora botafogo, “vá morar com o diabo que é imortal”.

Bem, vou parando por aqui que me dá um medo desgraçado de fazer algum elogio, por menor que seja, a atual direção do Santa e no dia seguinte, ao ler os jornais, ver que me enganei e o quanto fui tolo. Pra falar a verdade, ainda não estou plenamente recuperado do Lula e outra decepção dessa seria fatal. Ainda bem que eu disse parece (eu disse, repeti e repito novamente PARECE).

terça-feira, dezembro 27, 2005

A solução são os bascos

Amigos, depois de um tenebroso inverno, voltei a escrever. Espero não parar mais. Vamos lá, me apropriei do título de uma coluna escrita por Artur para o saudoso Futiba, “quem não a conhece não pode mais ver pra crer”, o melhor site futebolístico deste país. Enfim, chega de rasgar seda e voltemos ao assunto deste texto. Estou usando este título, para tentar ilustrar a mais nova idéia “genial” da Federação Pernambucana de Futebol – FPF. Para piorar a (minha) situação, tal idéia foi sugerida pelos diretores do meu querido Mais querido, o Santa Cruz. Ah!, a idéia: no próximo campeonato pernambucano, os clubes terão que ter, inscritos em cada jogo, no mínimo seis jogadores nascidos nas regiões Norte e Nordeste, ou que atuem por estas bandas há pelo menos dois anos. Quanta asneira!

Não que eu seja contra a idéia de que os clubes formem times com jogadores da região. Muito pelo contrário. Sou contra a imposição. Como cada instituição deve gerir o seu departamento de futebol tem que ser uma prerrogativa exclusiva de seus dirigentes. Sem haver qualquer ingerência de federação e confederação. Alias, para ser mais honesto, a única limitação que sou a favor é em relação ao número de estrangeiros em cada equipe. Mas como isso não é muito usual nestas bandas, vamos deixar de lado. Pelo menos por enquanto.

Eu não conseguir entender o que passou nas cabecinhas privilegiadas de Romerito Jatobá – presidente do Santa, e Carlos Alberto Oliveira, da FPF, no momento em que tiveram brilhante idéia. Romerito defende que o Santa tem não sei quantos por cento de jogadores da região no elenco que subiu para a série A este ano. Ótimo, melhor impossível. Jogadores que custaram pouco e deram bastante retorno, incluindo financeiros, (ta na hora de pagar os atrasados!). Não vai ser este tipo de exigência que vai salvar os clubes do estado da miséria. Não, de forma alguma. O que pode salvá-los é justamente um bom planejamento e contratações inteligentes e, claro, um pouco de sorte.

Escolher formar um elenco com jogadores da região é um direito que cada diretoria deve ter. (ta bom, to ficando repetitivo) Se o Sport quiser formar um time sem um único jogador local, é problema dele. E assim vale para qualquer clube. Cada um deve saber o que é melhor para as suas fileiras. Além do mais, essa é uma norma que pode ser perfeitamente driblada. Um clube pode simplesmente escalar seus três pratas da casa e deixar outros três no banco, mas naquela posição de privilegiados expectadores, apenas.

Só para não deixar passar em branco a história dos estrangeiros, vou tentar explicar melhor meu ponto de vista. Se é que precisa, mas como tenho alguns leitores que adoram perturbar e que vão enviar comentários dizendo que sou contraditório, né Aliton? Vamos lá: este ano, o zagueiro Helgueira do Real Madrid, causou uma pequena celeuma quando disse que havia brasileiros demais no elenco merengue e que isto era ruim para o futebol espanhol, ele estava coberto de razão. Alguns titulares importantes da Fúria eram apenas reservas de luxo em seus clubes, como o caso de Morientes. Isso vale para quase todos os países europeus, exceto a Itália. Quem sabe se um bando de estrangeiros jogando lá não muda a idéia de anti-futebol deles.

Apenas um esclarecimento, para os mais desavisados, sobre o título. É que na Espanha, existe uma equipe, situada no País Basco, que só aceita jogadores bascos. Trata-se do Atlético de Bilbao. Se não é a melhor equipe da Espanha, também nunca fez feio nos campeonatos nacionais. Na coluna, Artur defendia que a diretoria tricolor, vejam bem, a diretoria, deveria colocar todos os medalhões da equipe pra fora e contar apenas com jogadores nordeistinos no elenco. Se possível, apenas aqueles cheios de lombriga. Vale lembrar que, naquele ano, 2001, a equipe do Santadisputava a série A e estava no rumo certo da descida para a segunda divisão.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Novas colunas no ar..

Rápido como quem rouba, informo que já estão no ar duas novas colunas. Uma do Imponderável Artur, que, depois do insuperável úlima coluna, escreveu um conto natalino.
Outr das gregas calendas...também um texto com espírito de natal...

Boas festas...

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Melhores do mundo


TOSTÃO
COLUNISTA DA FOLHA
publicado na Folha de São Paulo em 21/12/2005

O melhor do ano em qualquer eleição, até para o mais chato, não é sempre o melhor de verdade. Muitos estão melhores, mas não são os melhores.O São Paulo tem uma boa equipe, mereceu o título mundial e todos os aplausos, porém não é melhor time do mundo. Muito menos o Liverpool. Não sei qual é o melhor.Com Ronaldinho Gaúcho é diferente. Mesmo se ele não fosse o melhor do ano, seria o melhor do mundo. O que é, é. Surpreendentemente, Felipão votou em Kaká, e Zico, em Adriano.

Na semana passada, assisti a uma entrevista de um conceituado jornalista inglês. Não lembro o seu nome nem o canal de TV. Ele disse que Ronaldinho Gaúcho é o jogador que mais gosta de ver atuar, contudo escolheria o Lampard ou o Gerrard para o seu time. Os dois são excepcionais e muito parecidos em campo.Mas discordo totalmente. Esse conceito equivocado sobre o Ronaldinho é comum até no Brasil. Apenas está reprimido neste momento. Basta a seleção nacional jogar mal para dizerem que ele enfeita demais as jogadas e que não é objetivo. Nelson Rodrigues, que morreu exatamente há 25 anos, diria que são os idiotas da objetividade.

Ronaldinho Gaúcho não é somente o mais espetacular, o mais malabarista, o mais inventivo, o mais lúdico e o mais risonho. É também o mais eficiente. Criar jogadas e dar passes excepcionais é tão objetivo quanto ser artilheiro.

Ronaldinho não é tão espetacular na seleção quanto no Barcelona, mas é excepcional na maior parte dos jogos na equipe brasileira, como foi na Copa do Mundo de 2002. Parreira disse ao seu amigo Galvão Bueno no Sportv que Ronaldinho não brilha ainda mais na seleção porque divide o palco com outras estrelas. Não acho que seja por aí. Eto'o e Deco estão também entre os grandes jogadores do mundo. No Barcelona, Ronaldinho treina todos os dias com os companheiros. E a maneira de jogar da equipe, que marca por pressão e que troca muitos passes no campo do adversário, favorece ao jogador, pois ele está sempre com a bola mais perto do gol.

Além disso, Ronaldinho é um atacante no Barcelona, pela esquerda. Ele recua somente para receber a bola. Na seleção brasileira, ele tem a mesma liberdade, porém é um armador, com a obrigação também de recuar, fechar os espaços pela esquerda e ajudar os volantes.

Lampard, Gerrard, Kaká, Eto'o, Shevchenko e outros jogadores excepcionais, todos em grande forma, executam com grande eficiência os fundamentos técnicos da posição e têm consciência de tudo o que fazem em campo.

Ronaldinho vai além. O seu futebol é surpreendente e não tem explicações. Nem ele sabe como e porque faz. Ronaldinho mostra que é possível existir em um esporte de altíssimo nível de competição um futebol lúdico, bonito e que ultrapassa os limites da eficiência.

A maioria das pessoas, com razão e prudência, acha que Ronaldinho precisa ser o melhor da próxima Copa para ser considerado um dos cinco maiores de todos os tempos, abaixo somente de Pelé e no mesmo nível de Garrincha, Maradona e Cruyff. Todos eles foram os principais astros de mundiais.

Como não tenho obrigação de ser sempre racional, acredito que Ronaldinho já atingiu esse nível. Não posso analisar também um talento por uma competição que dura 30 dias e de um esporte coletivo.Diferentemente de muitos jogadores e técnicos da seleção e, principalmente, da CBF, Ronaldinho trata toda a imprensa com respeito, mas sem privilégios. Ele também não é deslumbrado com a fama nem possui algumas idiotices das celebridades.


Ps. Tem texto novo de Aécinho no ar! o último do ano (segundo o próprio)

terça-feira, dezembro 20, 2005

Nova aquisição

Caros torcedores e amigos, o Futebol e outras histórias Futebol Clube contratou mais um jogador, ou melhor, um colaborador. Trata-se de Maio Spellman, ô nome difícil da gota, mas sabe como é, né? Todo atleta tem essas coisas. Quem não lembra do Capitão, volante que jogou na Portuguesa, São Paulo e morreu na coisa. Seu nome era Holiúde, provavelmente em homenagem a Souza Cruz e seu famoso cigarro, mas o rapaz não se contentou e pôs o nome do seu rebento de Holiúde Júnior! O garoto deve ter rebentado “como a corrente de um cão furioso”, diria o ministro.

Mas vamos ao que interessa...Spellman vai escrever sobre o treze de Campina Grande, o Galo da Borborema, provavelmente uma vez por semana, mas como este blog não é lá muito alemão, digamos, ele poderá escrever mais ou menos de uma coluna por semana.

No mais, é só vocês darem uma clicadinha no link Esporão do Galo, ao lado e se divertirem com seu belos textos...


Nota de Bosquinho: Marcus Vilar, agora você um bom motivo para ler este blog....

Outra Nota: Aécio, recebi seu texto mas ele só vai ao ar amanhã. Vamos deixar apenas Maio hoje, ok?

segunda-feira, dezembro 19, 2005

O campeão de todo o mundo

por José Roberto Torero

Os Demônios da Garoa venceram os Beatles.

Os Tricolores venceram os Reds.

O São Paulo venceu o Liverpool.

Sim, o time inglês era o favorito. Tinha 11 jogos de invencibilidade, craques badalados e venceu o Saprissa com facilidade. Mas, na hora da decisão, o Liverpool foi um time bom, mas sem chama. Sem fogo. Já o São Paulo foi um incêndio.

Depois dos primeiros quinze minutos, quando o Liverpool dominou, o São Paulo começou a melhorar e, quando fez o gol, já fazia por merecê-lo. Não foi um lance fortuito, do acaso, da sorte. O Tricolor já vinha martelando há algum tempo, e aos 21, por pouco Amoroso não fez um golaço.

E o time não se encolheu para segurar a vantagem. Não se comportou como um time pequeno que se vai para a defesa e reza para os minutos passarem rápido. Continuou jogando bem e só nos últimos minutos do segundo tempo é que realmente sofreu um sufoco. Mas mesmo nesse momento não parecia desesperado.

Acho que o símbolo do jogo foi o duelo entre Gerrard e Mineiro. Os dois são opostos em tudo: um é meia, outro é volante; um é branco, outro é negro; um é alto, outro é baixo; um tem 25 anos, outro tem 30, um tem nome elegante, outro tem apelido (que ainda por cima é errado, já que Mineiro é gaúcho).

E os dois também foram opostos nos momentos decisivos da partida. Gerrard, em sua melhor chance, colocou uma falta no ângulo de Rogério Ceni. Uma bola perfeita. Perfeita, mas previsível. Já Mineiro, em seu gol, fez o imprevisto. Surgiu de trás, o que não se espera de um volante, e deu um toque com tanta, mas com tanta malícia que o goleiro adversário até caiu para o canto o posto.

Esse toque imprevisível ainda é nossa maior arma. Mas de nada adiantaria esta criatividade sem garra. E isso o São Paulo teve de sobra. O time todo correu o tempo todo pelo campo todo.

E por isso é o campeão de todo o mundo.

Publicado originalmente no blog do Torero

domingo, dezembro 18, 2005

E não é que o São Paulo Ganhou!


enquanto o Saõ Paulo comemora, Gerrard chora

Futebol é mesmo engraçado. Eu nem devia estar dizendo isso porque achava que o São Paulo ganharia do Liverpool, mas achava que ganharia mais fácil, jogando bola. Tocando bola, como o bom e velho futebol brasileiro. Não foi assim, foi no sufoco, para desespero do técnico espanhol do time inglês, que saiu dizendo que o juiz roubou. Vale lembrar, entretanto, que os três gols foram muito bem anulados, se teve pênalti, teve pros dois e se deveria ter havido expulsão de Lugano, o que dizer da cabeçada do eterno reserva Morientes? Rafa Benitez, vai chorar em outras paradas!

Vamos ao jogo. Os ingleses entraram em campo com a empáfia - aliás, entraram no Japão assim – conhecida. Logo os ingleses que não participaram das primeiras copas do mundo porque não tinham adversários à altura. Quando resolveram participar, só ganharam uma graças a um certo juiz, os alemães é que não gostam de lembrar disso...Por falar nisso, torcedores do Liverpool, se o juiz roubou vocês não deveriam ficar com raiva, né?

O jogo começou assim, o Liverpool dono e absoluto achava que ganharia o jogo a qualquer momento. O time brasileiro estava visivelmente nervoso e tinha respeito demais por esse timinho inglês. Timinho? Vão perguntar. Eu digo: timinho sim senhor! Eles tinham uma invencibilidade de doze jogos, mas quantas vezes eles empataram nesses mesmos jogos? Cá pra nós, esse Rafa Benitez é um retranqueiro de marca maior, ganhou a copa dos campeões numa daquelas cagadas históricas, me perdoem a má palavra, mas que foi uma cagada foi!

O domínio inglês, no entanto, durou apenas uns 10 minutos, não mais do que isso. Passado o nervosismo, o São Paulo passou a tocar a bola e colocar os ingleses na roda. O gol seria questão de minutos. Aos 27, o Mineiro entrou matreiro por entre os zagueiros grandalhões e, com categoria, fez o gol solitário da peleja. Depois os brasileiros ainda tiveram chances de ampliar o marcador. Fim de primeiro tempo e 1x0 contra os invencíveis.

Detalhe do primeiro tempo: um corintiano invadiu o gramado com um boneco do bambi para gozar os são paulinos. Isso é que é bola fora, heim companheiro! Além de ser preso o sujeito ainda vai ter que aturar as gozações dos tricolores...

O segundo tempo foi o domínio dos ingleses, mas o tricolor paulista tinha Rogério Ceni que, se não marcou gols hoje, também não sofreu. Os que entraram, foram bem anulados, já disse. Abre o olho Parreira! Melhor do que qualquer coisa, foi ver a desilusão dos, antes imbatíveis, batidos.

Não tem nada mais que eu odeie no futebol do que o complexo de superioridade dos europeus, não que eu esteja dando uma de Galvão Bueno, mas que os caras são imbecis, são. Puta que pariu, todo ano eles tomam lapadas dos sul-americanos e não aprendem. Em copas do mundo, nem se fala... eu me atrevo a dizer que todas as vezes que a melhor equipe da Europa enfrentar um time médio da América do Sul, vai apanhar, desde que os sul-americanos não tenham complexo de vira-latas, como o Palmeiras frente o Manchester e o Cruzeiro contra o Borússia.

Só mais uma coisa, não sou torcedor do São Paulo, todo mundo sabe que gosto das mesmas cores, mas meu coração bate mesmo é pelo outro tricolor, o mais pobre, e por isso mesmo o Mais Querido Tricolor das Multidões...

sexta-feira, dezembro 16, 2005

A fundação do mundo

Amigos, o imponderável Artur está de volta. Depois de curtir a mais merecidas das cachaças, e das ressacas, ele voltou "escrevendo um texto extremamente sério e analítico, aprofundando uma série de questões absolutamente eruditas..."

depois disso, não tenho mais o que dizer. Assim, convido-os a uma intrigante viagem sobre a fundação do mundo...

Leiam o Imponderável de Almeida!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Curto e grosso



O Liverpool treinou muito bem hoje, o São Paulo nem tanto, ontem.

Como diria o saudoso Didi: “treino é treino e jogo é jogo”

E só!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Jogo digno de Mundial Interclubes da Fifa

Amoroso: o único que jogou bola, fez 2 gols

Amigos, acabei me levantando cedinho hoje para ver o último resquício de futebol brasileiro do ano. E vi! O jogo entre São Paulo e Al-itirrabi (a pronúncia é essa) foi uma das melhores coisas que já vi nos muitos campos de várzea que freqüentei. Diria sem medo de errar que, a coisa – que não é lá grande coisa – não faria tão ridículo. Diria que esse foi um jogo de tirar o sono. De raiva! Bem, mas, ao final, o São Paulo Ganhou e isso é o que importa...será?

A partida começou assim: São Paulo dominando tocando bem a bola, na defesa, mas sem conseguir armar ataques perigosos. Aos 10 minutos a coisa (olha ela ai de novo!) começou a parecer que ia mudar. Um bom cruzamento de Júnior e quase que Cicinho abre o placar. Logo depois foi a vez de Amoroso, que não perdoou. 1x0. Em seguida, ele quase marca novamente e...parou. o Al-itirrabi começou a notar que o time paulista não era lá grande coisa (novamente ela) e partiu pra cima, empatou e quase vira o jogo em duas boas oportunidades. E, para alívio dos brasileiros, terminou o primeiro tempo.

Mal começou a etapa final e o São Paulo lembrou que é tricolor, que tem uma camisa semelhante ao um certo clube do país. Marcou o segundo, teve um pênalti não marcado – aliás, nessa o famoso Arnaldo quis aparecer. Dizer que aquilo não foi pênalti! Teve outras boas chances até que, aos 10, mais ou menos, outro pênalti. Dessa vez o juiz marcou. Rogério foi lá e pimba. 3x1! Era a goleada à vista! Era...

Quando tudo parecia que ia deslanchar, eis que o São Paulo apresenta novamente o sintoma da mais terrível doença do futebol: a Síndrome de Coisa. Recuou, levou um gol e muito sufoco até o fim do jogo. Foi patético ouvir o Galvão, nos minutos finais, berrando, como se o SP estivesse ganhando do Barcelona. Vixe Maria!

O São Paulo ganhou, mas três problemas ficaram bastante claros no campeão da libertadores: ataque, meio-campo e defesa. Vou mais além e digo que faltaram Carlinhos Bala, Rozembrinck e Givanildo – o Cruyff do Nordeste!

Bem, agora é esperar pelo time da terra dos Beatles. Se o analistas da Globo estiverem certos, esse será um jogo mais fácil, pois o Liverpool de Rafa Benitez não vai jogar com três atacantes nem se tiver perdendo por 15x0!

terça-feira, dezembro 13, 2005

Comparações

Publicado por Juca Kfouri, no Blog do Juca

Há quem esteja comparando este segundo Mundial de Clubes da Fifa com o primeiro e concluindo, com razão, que o anterior foi tecnicamente muito mais forte.

De fato, aquele, no Brasil, tinha um outro formato e pelo menos quatro grandes do futebol mundial -- Real Madrid, Manchester United, Vasco e Corinthians.

E tinha também o Necaxa, do México, que acabou em terceiro lugar.

Nesta edição, de papão mesmo só São Paulo e Liverpool, porque, surpreendentemente, o Saprissa venceu a Copa da América do Norte.

Mas este torneio tem a vantagem de critérios muito mais claros e indiscutíveis do ponto de vista dos méritos: os campeões de cada uma das seis confederações dos cinco continentes (lembremos que a América tem duas).

Em 2000, o Corinthians entrou como campeão do país sede e, assim mesmo, como o campeão de 1998.

Menos mal que ganhou também o Campeonato Brasileiro de 1999, porque se o vencedor tivesse sido o Atlético Mineiro, a injustiça com o Palmeiras seria dupla.

Sim, porque o Palmeiras era o campeão da Libertadores de 1999 e o outro representante brasileiro foi o Vasco, campeão de 1998.
Nesta edição no Japão não há nada disso, está tudo muito claro.
Mas, sem dúvida, a velha fórmula do campeão da Libertadores enfrentar o campeão da Europa ainda é a mais charmosa.

Quem sabe um dia, quando, principalmente, os clubes africanos tiverem a mesma projeção que algumas de suas seleções já têm, o Mundial da Fifa ganhe em atração.
Porque dificilmente a Fifa incluirá mais times (segundos representantes dos continentes mais importantes, o vice da Libertadores e o da Copa dos Campeões, ou mesmo o campeão da Copa Sul-Americana e da Uefa) porque faltarão datas e aumentarão os protestos dos europeus.

Europeus que, diga-se de passagem, sempre esnobam o torneio antes de disputá-lo.

Depois, se ganham, fazem a maior festa, e a cidade do campeão pára para recebê-lo.

Caso típico de quem desdenha, mas quer comprar.

Josias escreveu...

Para quem gosta de política (e do PT), há um texto novo de Josias no ar. Para quem odeia o PT, há um texto novo de Josias no ar.

Leiam e comentem, esse merece!

segunda-feira, dezembro 12, 2005

O luto acabou...

Amigos, finalmente acabou o Luto de Aecinho...desde aquela derrota contra o Uruguai, ou melhor, o Grêmio, na maquete do maracanã, que o meu amigo relutava em escrever, falar, ver, ouvir, ler, pensar em qualquer coisa que lembre uma bola de futebol.
Ele voltou, o boêmio voltou novamente! mas, para nçao perder o costume, ele escreveu logo sobre a segunda maior tragédia brasileira ...

PS. Aécio, não pense que eu quis dizer que a maior tragédia foi aquela do 26 de novembro. Pra falar a verdade é impossível uma grande tragédia em lugar tão pequeno!

Se passarmos das oitavas, seremos Hexa

O sorteio dos grupos da copa na última sexta-feira deixou claro isso. Não pegamos a mamata de quatro anos atrás, mas também não estamos no grupo da morte, como a Argentina (novamente). Mas os prognósticos podem apontar um grande clássico mundial, talvez o maior envolvendo países de continentes diferentes, já nas oitavas: Brasil x Itália. Vamos à futurologia, se isso acontecer, o ganhador do confronto pode encomendar a festa.

Há exatos quatro anos, lembro-me como se fosse hoje, escrevi um textinho – pena que não consegui publicar – no qual argumentava os motivos pelos quais o Brasil ganharia a copa da Ásia. Meu argumento era simples. Éramos a única seleção com três jogadores capazes de desequilibrar e tínhamos, nas quatro primeiras rodadas, adversários para levantar a nossa auto-estima perdida. E assim foi. E não venham com esse papo besta de que a França e Argentina saíram logo. Isso não é da minha conta. Mas digo com toda a convicção que se ganhássemos, como ganhamos, o jogo das quartas-de-final (independente do adversário) seríamos campeões, como fomos.

Mas por que relembrar isso, não é que eu não precise de emprego, aliás se alguém quiser contratar um jornalista que sabe analisar as situações, pode ficar a vontade. Mande um comentário que entro em contato. Mas voltando ao tema, como eu defendia que o jogo chave daquela copa era o das quartas, nele enfrentaríamos pela primeira vez um dos grandes do futebol, digo sem medo de errar que, ano que vem, a partida chave será uma rodada antes: nas oitavas. Isso porque passando pelo grupo encardido que pegamos, depois por um dos possíveis aniversários da fase seguinte, Itália, República Checa ou Gana, vamos para as quartas, semi e final só para cumprir tabela.

Eu, há muito tempo, digo que jogador brasileiro só veste a camisa da seleção com a motivação que ela merece durante uma Copa do Mundo, ou contra a Argentina. Fora isso, a seleção joga apenas por obrigação. Daí a nossa raiva. Esse time do Brasil jogando com vontade e confiança só pode ser batido pela Argentina em Buenos Aires, mas em campo neutro, como é a copa (pra quem não sabe), eles também são fregueses.

Para não me chamarem de otimista nato porém, se pegarmos a Itália na segunda fase - como é bem provável - acho que a chance de repetirmos 82 é bem considerável. Tomara que não! Tomara que eu esteja errado, como todos os grandes jornalistas desse país.

Ps. Parreira, tá na hora de começar a convocar Rivaldo. Você sabe muito bem do que ele é capaz.

domingo, dezembro 11, 2005

Santi de Casa 2, a missão!

Amigos, o italiano, ou melhor, romano, está provocando...
dessa vez ele se superou...esse post, postado com atraso graças a viagem do editor carrasco, está simplismente imperdível!
Todos os 170 milhões de leitores deste blog estão intimados a fazer uma visita nos escritos italianos. Principalmente os que conhecem o sujeito.
visitem e digam se um não tenho razão...

Link está em ordem

Amigos, peço desculpas pelo erro no Link do Blog do Jonatas.

agora está tudo ok!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Gregas Calendas

Amigos, esse blog-site não para de crescer. Contamos agora com a colaboração do inestimável Josias de Paula Jr., conhecido no mundo do crime como Geó. Ele, no entanto, vai fugir do tema principal deste blog. Caso alguém ainda não saiba, o tema principal é futebol. Mas como é “e outras histórias”, pode-se falar sobre tudo aqui. Assim, Geó vai escrever sobre política. Ele escreverá uma vez por semana. Para esta, entretanto, ele mandou dois textos – eita que o bichinho tava seco pra escrever. Espero que vocês gostem das suas Gregas Calendas e o leiam sempre. (é que ele ta preocupado se vai ter leitor ou não)

No mais, é isso!

terça-feira, dezembro 06, 2005

Rivaldo para a Copa de 2006

Rivaldo definindo contra a Inglaterra

Eugenio Goussinsky
eugenio@cidadedofutebol.com.br

Até agora era unânime a tese de que, para a Copa do Mundo de 2006, pela primeira vez não haverá polêmica quanto à convocação de Carlos Alberto Parreira. Digo era porque, ao refletir melhor, cheguei à conclusão de que um dos maiores craques dos últimos tempos será o novo injustiçado do futebol se ficar de fora do próximo Mundial: Rivaldo.

Todos do atual grupo podem passar por fases complicadas, como Ricardinho, Zé Roberto, Gustavo Nery e até Ronaldo, que mesmo assim mantêm a confiança do estudioso técnico. Mas quando se pensa em Rivaldo, a lógica muda e logo se diz que ele não está 100%, está em um centro não tão badalado (atua na Grécia), etc.

O meia Alex, do Fenerbahce, da Turquia, também não atua em um centro badalado e mesmo assim ganhou chances de Parreira. O volante Edmílson, recém-recuperado de cirurgia voltou a ser chamado. E até o questionável atacante Ricardo Oliveira, que só deve se recuperar de cirurgia em março, pleiteia uma vaga.

Parece que, mesmo com Rivaldo ainda atuando em uma competição importante como uma Copa dos Campeões da Europa, tudo o que ele fez no passado pela seleção é esquecido com facilidade. Sua presença seria importante no grupo. Ele ainda tem condições físicas para suportar 90 minutos. Rivaldo foi na prática o melhor jogador da última Copa, fundamental para a conquista do penta tanto quanto Ronaldo. É versátil e conta com a amizade do grupo, que ele tão bem conhece.

O meia já provou, tanto na Copa de 1998 quanto na de 2002 que, além de craque, é gênio. E está aí, na ativa, sem que ninguém se dê conta de que sua experiência é fundamental. Ele até participou do início das Eliminatórias e foi um dos poucos que jogou bem naquele momento em que a seleção ainda não havia emplacado um grande futebol.

Sem badalações

Não faltam posições para encaixá-lo. Poderia muito bem ir no lugar de um lateral-esquerdo reserva. No caso de contusão de Roberto Carlos, Zé Roberto poderia ser deslocado para o setor. Aí me responderiam que, na visão de Parreira, Zé Roberto é imprescindível no meio. Tudo bem, mas e se ele mesmo se machucar? Não há esse risco?

Com a contusão de Ricardo Oliveira, Rivaldo poderia também ser o quarto atacante. Como argumento final, pergunto. Sinceramente, quem tem mais condições de definir um jogo difícil no segundo tempo: Rivaldo com a genialidade de sua canhota ou o pesado Julio Baptista apenas com seu vigor físico?

O problema de Rivaldo, como o de muita gente honesta que trabalha bem sem aparecer, é o fato de seu marketing pessoal não ser tão bem elaborado como o de outros jogadores. Ele não está o tempo inteiro aparecendo na mídia, freqüentando festas, namorando celebridades, badalando com carros importados.

Cabe, porém, ao técnico da seleção não avaliar por esse prisma superficial e às vezes enganoso. Vou parando por aqui, senão ainda começo a defender também a inclusão de Romário, artilheiro do Campeonato Brasileiro, no grupo. Ou ele não tem mais condições de definir um jogo do que Ricardo Oliveira?

Notas:
1 - Este texto foi publicado originalmente no site http://cidadedofutebol.uol.com.br
2 - Concordo com o autor

segunda-feira, dezembro 05, 2005

E o Luxe caiu...


Foi lamentável a queda de Luxemburgo do comando do Real Madrid, lamentável mas esperada. Já escrevi em outra ocasião – podem procurar nos posts de agosto, ou clicar aqui – porque torcia tanto para o Luxe dar certo no Madrid. Depois da sua queda, acredito que o Madrid não tem mais jeito. Será preciso mudar completamente a visão que os seus diretores têm de futebol, ou seria de empresa?! Não dá mais para montar um time dessa forma. A fogueira das vaidades está fazendo do Real o mais caro saco de pancadas do futebol mundial.

Acreditava, e ainda acredito, que Luxemburgo – Guardadas as proporções éticas – é, dentro de campo, o mais fiel seguidor do mestre Telê. O grande problema ao chegar em uma equipe dom o Madrid é o que dizer para motivar jogadores em fim de carreira e que já conquistaram tudo no futebol. Uma coisa é a palavra de um Luxemburgo no Santos formado por garotos, outra, é a palavra de um desconhecido Luxe para um time de galáticos que não estão nem aí para a bolinha que estão jogando. Esta foi a principal dificuldade encontrada pelo treinador brasileiro. Aliado a isso, as famosas panelinhas oriundas da fogueira das vaidades que impera no clube merengue. E o mais óbvio dos problemas, a diretoria há tempos não se preocupa em montar um time, preocupa-se mais em vender camisas no Japão.

Por essas e outras é que a queda de Luxemburgo não causa surpresa. Menos surpresa ainda é o futebol pífio que o time da capital espanhola vem jogando nos últimos dois anos. A última grande fase do Madrid foi ainda com Del Bosque, quando ele armou o meio campo com Makelele e Flávio Conceição, dando liberdade para Figo, Raul e Zidane – não me lembro se Ronaldo já estava neste time - jogarem o que sabem. Assim, o Real ganhou a Liga e o seu último título espanhol.

A chegada de Beckhan começou a matar o time. Nada contra o voluntarioso jogador inglês, mas para colocar o bonitão em campo, foi preciso começar a desmanchar o sistema defensivo do clube. A partir daí, os merengues começaram a sofrer de uma doença crônica do sistema defensivo. Já disse anteriormente, se os zagueiros do Real fossem Gamarra e Baresi, ambos nas suas melhores formas, a situação seria a mesma, porém, com mais técnica.

Para piorar, a lista de técnicos “de peso” que os madrileños desejam tem apenas nomes de grandes retranqueiros. Isso será terrível para o futebol. Aliás, os europeus estão voltando-se mais do que nunca para o futebol de resultados, com exceção do Barcelona, todos os outros grandes clubes do continente atuam para não perder. O Chelsea, de Mourinho; o Liverpool, de Rafa Benitez; a Juventus, de Capello; o Milan, de Accelotti e por aí vai. E justamente os três primeiros técnicos citados acima estão encabeçando a lista do Real. Seria legal se Robinho arranjasse rapidamente uma transferência pois com esses aí, ele não vai ter mais chance alguma.

Do jeito que as coisas vão, já estou torcendo mais do que nunca para que o Brasil ganhe a Copa jogando com o quarteto e dando shows de bola, um após outro. Talvez assim possamos equilibrar um pouco essa disputa entre europeus e sul-americanos para ver quem dita a melhor moda. Desde já, estou torcendo pelo Barça desde criancinha. Quem sabe se o Brasil ganhar a Copa Parreira será o substituto de Luxe? Entre ele e os Capellos da vida, sou muito mais a “ousadia” de Parreira com seu quarteto fantástico.

O Corinthians é o campeão e pronto...



Amigos, sei que muitos vão discordar, mas para mim, o coringão é o legítimo campeão do brasileirão 2005. (rima rica, hein?). Por outro lado, também tenho plena convicção que este foi um campeonato manchado. Marcado pela “descoberta” de um árbitro ladrão e pela anulação, ainda que de forma atabalhoada, dos 11 jogos apitados pelo famoso Edílson. Acredito, entretanto, que mesmo atabalhoada, a decisão foi a menos ruim. Tenho a impressão que, se os jogos não fossem anulados, boa parte dos times também reclamariam. O que fazer numa situação dessas? O mais óbvio é remarcar tudo. Simples. Apenas uma reclamação. Por que é que o STJD fez alguns jogadores do São Paulo cumprirem duas vezes a mesma suspensão? Coincidência ou não, a segunda delas, foi justamente no jogo contra o Corinthians.

Mas voltando ao futebol, que é o que é bonito, num campeonato de pontos corridos não há o que discutir, ganha quem foi melhor. Pode até não ter sido o mais constante, mas no final das contas, foi o melhor. Por isso é que o Corinthians foi o campeão. Porque foi o melhor e pronto. Teve inclusive o melhor dos critérios de desempate: ataque. Se fosse a fórmula de Série b, caberia este tipo de discussão.

Parabéns ao Corinthians, que mesmo com uma parceria que cheira a lavanderia, foi o melhor time e mereceu ser o campeão. Parabéns ao Edílson, que fez deste o campeonato mais emocionante da era dos pontos corridos.

Só mais uma coisa, este campeonato foi tão doido que fez até brasileiro gostar de argentino!

Só mais outra coisa, com todo respeito que Romário merece, mas um campeonato em que o artilheiro tem 40 anos, não pode ser lá grande coisa...

domingo, dezembro 04, 2005

“A temporada foi muito boa. Excelente não”


Ele não é nenhuma unanimidade no futebol brasileiro, mas quando o assunto é competência, sempre está no topo da lista. Nos times que trabalhou, dificilmente saiu sem conquistar algum título. Adorado por jogadores e com uma inteligência que surpreende os técnicos adversários, ele é um estudioso do moderno futebol. À frente do Santa Cruz, montou uma equipe de primeira e conquistou o Estadual e uma vaga na Primeira Divisão Nacional. Givanildo Oliveira mais uma vez entrou para a história. Além de tirar o time coral de uma fila de espera de quase dez anos, ele conseguiu bater o recorde nacional de subidas à Série A do Brasileiro (com o Santa Cruz em 2005, com o Paysandu em 2001 e com o América/MG em 1997). Após toda a festa, o Rei do Acesso conta algumas histórias dos bastidores da vitoriosa temporada 2005.


Como o senhor analisa a temporada 2005 à frente do Santa Cruz?

Essa temporada foi muito boa. Excelente não, pois só seria se tivéssemos sido campeões. Mas o trabalho só rendeu porque começou cedo, em novembro, quando iniciamos as reuniões para resolver o que iríamos fazer, quem viria para o grupo. Apenas a apresentação foi no dia 6 de dezembro. Acho que isso foi um passo muito importante, pois começamos formando o principal: o elenco.

Devido às circunstâncias, levar um time de Pernambuco à Primeira Divisão, dar o título estadual ao Santa após quase dez anos da última conquista, ser venerado pela torcida, esse foi um dos anos mais importantes da sua carreira como treinador?

Sim, mas estive também no Paysandu, onde fui campeão da Série B, da Copa Norte e da Copa dos Campeões, além de tricampeão estadual em 2000, 2001 e 2002. Foram seis títulos em dois anos e meio de trabalho. Também conquistei taças importantes, como no caso da Copa dos Campeões, que credenciou o clube a participar da Copa Libertadores pela primeira vez na história.

Existiram momentos críticos na temporada?

Ah! Teve. Assim como no Paysandu. Você imagina ganhar seis títulos em dois anos e meio e ainda enfrentar momentos difíceis. No começo do Pernambucano, todos os atletas estavam contratados, mas o time ainda não estava formado. Perdemos um jogo e empatamos outro. Tivemos dificuldades financeiras. A saída de Edinho também foi difícil, pois tínhamos fechado com Romero (Jatobá) para presidente, ele para vice e eu para treinador. Dificuldades tivemos.

Como ficou sua relação com o presidente Romero Jatobá depois da saída de Édson Nogueira?

Após Edinho sair, tive uma conversa muito boa com Romero antes do jogo contra o Vitória (dia 16 de agosto), no Arruda. Sentamos eu e ele, sozinhos, e coloquei tudo em pratos limpos. Disse o que e como queria que as coisas fossem feitas. Até ali o meu pensamento era de ir embora. Depois do jogo contra o Vitória, não nos desentendemos mais. Ainda tivemos problemas de salário, mas aí o clube não tinha mais condições de pagar. Como agora, por exemplo, ainda não pagou outubro. Muita gente continuou insistindo que eu não falava com o presidente. Conversa mole. Esse lance nunca aconteceu. Sempre falei com ele.

Quando a equipe perdeu para a Portuguesa, na primeira partida do quadrangular final, e depois empatou com o Grêmio em casa, por algum momento o senhor pensou que o time poderia não subir?

É claro que a gente fica receoso. Ainda mais pelo placar contra a Portuguesa. Mas o ponto do Grêmio foi o que nos tirou o título. Muita gente fala do Náutico, mas aí são resultados dos outros. Se tivéssemos feito o nosso dever de casa teríamos sido campeões. Quem faz o dever de casa está dentro. Já disputei quatro quadrangulares finais e só perdi com o Náutico. Sei o que é isso.

Como o senhor contornou o caso de Andrade, que pediu para sair do clube no início da Série B?

O episódio de Andrade ocorreu no Mineirão. Perdemos para o Cruzeiro (4x0, pela Copa do Brasil) e, ao fim do jogo, ele discutiu com Carlinhos Bala. Depois de uma conversa comigo, ele disse que não iria ficar. Ok, está fora. Quatro dias depois ele se arrependeu e disse que queria falar comigo. Minha opção era aceitar ou não. Ele se arrependeu e explicou seus motivos. Disse que não deveria ter feito aquilo porque essa é a sua profissão. Terminei aceitando-o de volta. É aquela história de grupo. Cada um tem sua cabeça. Só não aceito dizerem que não tenho pulso quando um jogador discute dentro de campo. Eu ia adivinhar que ele iria brigar?

Além desse problema, ainda existiram a indisciplina de Rosembrik, o cheque sem fundo, a saída de Edinho e toda a diretoria de futebol, além dos salários atrasados. Como contornar tudo isso sem deixar o grupo ser afetado?

Se estiver com o grupo na mão isso tudo é mais fácil. Essa é uma característica do meu trabalho. Quando você está falando todos os dias com o grupo, os jogadores estão lhe conhecendo, gostando da sua forma de trabalhar, tudo fica mais fácil. Agora você precisa acertar, como ocorreu nas contratações dos jogadores. O cheque foi uma falha de comunicação. Sempre que recebo em cheque procuro ligar no dia de descontá-lo para saber se posso. Fui informado que poderia quando não podia. Mas o problema foi resolvido, pois, há alguns meses, todos recebem em cheque no Santa Cruz e não tivemos mais constrangimentos.

Muitas pessoas falam que o senhor foi a principal personagem do título estadual e do acesso, por estar sempre brigando pelo grupo e segurando uma possível revolta devido aos salários atrasados. Como o senhor encara esse fato?

Procuro ser o paizão dos jogadores com quem trabalho. Desde o segundo ou terceiro ano que comecei como treinador, vi que essa era a forma mais correta de agir. Achei que esse era o rumo mais correto, cobrar na hora que é preciso cobrar e ser amigo na hora de ser amigo. Eu sempre digo a eles, se quiserem um treinador parceiro, vão ter. Mas se não quiserem, podem ir embora.

Quem o conhece sabe o quanto o senhor é ligado nas situações. Conversa com os responsáveis pelo gramado, pela cozinha, dá sugestões, critica, exige. Parece ser onipresente. Como é treinar o time e fazer tudo isso ao mesmo tempo?

Isso se chama gostar da profissão. Se gosta do que faz, você sempre pensa no que poderá fazer para melhorar. Procuro conversar com todos que trabalham junto comigo. Sempre faço questão de ajudá-los no que for necessário. Por exemplo, sempre fazemos um ratatá. Os jogadores tiram cinco por cento dos bichos que ganhamos para distribuir entre os funcionários.

Quase 100% das suas contratações foram acertadas, como o senhor faz para encontrar jogadores baratos e de qualidade?

Quando se assume um clube como o Santa Cruz, o presidente diz que não se pode ultrapassar a folha de R$ 260 mil. Então, precisamos trazer jogadores de R$ 10 mil ou R$ 8 mil. Se podemos contratar quatro ou cinco atletas de R$ 30 mil, existe uma diferença. Da maneira como foi aqui, comecei a ir buscar nas minhas anotações. Vou dar o exemplo do Coracini e do Paulinho. Eles jogaram muito bem contra mim quando estava no Paysandu. O Paulinho deu certo, o Coracini não.

O senhor é o novo Rei do Acesso?

Acho que sim. Ninguém tem os três acessos da Série B.

O que o senhor espera para o Santa Cruz em 2006?

Espero que a gente fique com 80% desse grupo que está aí, mais ou menos. E, na hora que a gente precisar trazer uns quatro ou cinco jogadores, dê certo. Desta vez, o Santa Cruz tem que trazer atletas mais, mais... Porque não vamos fazer um time para o Estadual e um para a Série A. Temos que fazer um elenco preparando para a Série A porque, caso contrário, corre-se o risco de cair de novo.


Nota de Bosquinho, o editor carrasco que virou o João parafusado: entrevista "emprestada" pela Folha de Pernambuco

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Lá do alambrado

Geraldo Maciel*

A Troncha é um lugar onde a bola é uma esfera inalcançável, e o futebol uma paixão suarenta e inexplicável. O lugar, com nome herdado de antigo latifúndio, hoje é um quebra-cabeças de pequenos sítios, polegadas de terra com divisas imaginárias cercando as roças e permitindo a criação de bodes e galinhas, num comunismo de inspiração quase anarquista.
A bola, lá, pelo menos para José Eduardo, é o mistério supremo. É uma perfeição difícil de compreender, uma arte teimosa de se executar e uma alegria que pula incontida pelos roçados no domingo.

A compreensão do enigma geométrico da bola tomou mais tempo de José Eduardo que as repetições da tabuada, a obrigação cívica do Hino Nacional ou a abnegação caprichosa da caligrafia. Cresceu tentando construir bolas, buscando sua perfeição esférica em miolos de agave, pedaços de mulungu e, já mais crescido, adotando a sola apropriada e algumas ferramentas essenciais. A dificuldade, porém, pouco diminuía com a prática. Algumas vezes, no entanto, Eduardo chegou perto da perfeição, mas isto era quase sempre por conta de erros que, por azar, nunca conseguia repetir.
Ele não compreendia porque as bolas quase sempre fugiam do modelo tão bem acabado na sua cabeça. Quando ia executar o modelo, elas sempre procuravam o quadrado, o anguloso, o estufado e o assimétrico. Um desvio qualquer que fosse, mesmo sob um molde já trabalhado, e lá aparecia um cogulo, a imitação da jaca, as saliências do jerimum. Tentava novos ângulos, encurvava os talhos, trabalhava os cortes recôncavos, diminuía a curvatura do convexo e, num piscar, num nem cochilo, desaparecia o projeto de bola esférica, o capotão euclidiano, o supremo objetivo daquele artesão teimoso.
Sua técnica esbarrava na ciência do fechamento, na arte da costura embutida e na ausência de câmaras de ar com válvulas, dessas usadas em bolas oficiais. Um problema de tecnologia e de insumos que a distância da cidade e a carência de recursos não permitiam resolver. As câmaras de ar disponíveis eram pouco diferentes das bexigas de boi, com uma longa tripa que, mesmo bem embutida nos intestinos da bola, ficavam parecendo uma hérnia prestes a estrangular.
As bolas de José Eduardo eram fechadas - como todas na redondeza - através de grossos cadarços de sola unindo as bordas de um corte largo em um dos gomos da bola e que, quando fechada, muito parecia a cicatriz de uma cirurgia de guerra.
Eduardo buscava a perfeição da bola oficial, da esfera que ele sabia existir, com a mesma obstinação dos alquimistas. Essa procura, no entanto, não o impedia, nem a ele nem aos demais futebolistas da Troncha, de gozar as delícias de correr atrás do capotão nos fins de semana, nesse momento, pouco importando as incoerências geométricas do artefato irregular e saltitante que ele construía.
No campo, José Eduardo esquecia seu artesanato e buscava o gol com a mesma determinação de um Leônidas, de um Heleno de Freitas, craques que ele nem sabia terem existido, mas que deviam planar ali, meio nostálgicos e embevecidos com aquela correria bruta e inocente que o time da Troncha praticava. Esse futebol não existe mais, deviam pensar os dois grandes mestres, debruçados lá no alambrado de nuvens de onde acompanhavam a correria.
O gosto pelo futebol e a necessidade das roças conviviam de forma amigável, alternada e sazonal no pequeno sítio de poucos hectares do pai de José Eduardo. Na época do plantio, o campo encolhia-se, restando só a grande área, no espaço em frente a casa. Colhida a safra, o campo alargava-se até aonde a bola conseguia chegar.
Num São João qualquer, as conjunções astrais reuniram-se para mudar a prática de esporte na Troncha: Aluízio Nelson, filho do lugar e morador no Rio há algum tempo, veio de visita e apareceu no campo onde tanto treinou, trazendo um grande pacote debaixo do braço. Vestia uma camisa de listras verticais, pretas e azuis, com um belo escudo sobre o peito, e que vinha a ser a camisa da Internazionale de Milão. No pacote, um padrão completo, com meiões e flâmulas que, doravante comporiam o padrão oficial do time, que não podia ter outro nome senão o de Internazionale da Troncha.
Antes de voltar, Aluízio organizou tudo. Deixou time com diretoria formada, com um padrão de camisas de fazer inveja e um campo definitivo, faltando somente ser mais bem nivelado para entupir as covas e aplainar os montinhos e fazer as marcas de cal. Coisa de clube organizado.
Só faltava o jogo de inauguração. E o adversário tinha que ser o Vasco, time da cidade mais próxima, único lugar cujo esquadrão tinha camisas e jogava de chuteiras.
As chuteiras da Internazionale Nequinho Sapateiro fez em vinte dias. José Eduardo, em segredo, sacrificou uns bodes e mandou comprar, longe, uma bola oficial. Acertaram a data e começaram os preparativos da grande festa.
O tempo voou e chegou o dia do jogo. Iniciaram os preparativos muito cedo, fazendo a marcação do campo. Nunca a geometria foi tão necessária e esquartejada. Dificilmente alguém reconheceria ali qualquer coisa parecida com retas, ângulos, perpendiculares ou circunferência. O grande círculo era o retrato ampliado da projeção da bola de Eduardo. Mas o serviço ficou pronto. Depois do almoço, tudo estava como deveria estar.
Algumas horas antes do embate, Eduardo puxou um papel do bolso e decretou: Quíper, Adelgiso. Beques, Pereira e Zezebu. Ralfos, Chanha e Luiz Carnaúba. Centeralfo, Zefininho. Fó vai ser Divino, Zé de Otília, Andriola e Chuíte. Centrefó, eu. Reservas, Zé de Rosa, Laurindo e Rusve.
O time entra em campo. Os moradores da Troncha e redondezas em peso compareceram. Até ali o esquadrão tronchense tinha sido imbatível. Se antes, sem o orgulho da camisa, a proteção das chuteiras e o prestígio da assistência, tinham ganhado todas, imagine agora. O time era bom. Meio duro de cintura, mas viril, firme e tinha três craques: Zezebu na defesa, Zefininho no meio do campo e José Eduardo lá na frente. Zezebu era duro como miolo de baraúna. Viril como uma caterpillar, sua lealdade em campo provocava hematomas e esquimoses em meio-time adversário. Se o adversário fosse também de jogar firme, tinha-se que esperar a poeira baixar para ver quem tinha levado a melhor nas bolas divididas. Torcedores de coração mole chegavam a sentir pena da bola.
Zefininho era o oposto de Zezebu. Esguio como um talo de capim, tratava a bola com tal delicadeza que ela chegava a lhe lamber as chuteiras. Era sinuoso, escorregadio, inatingível. Quase um bailarino no meio duma centúria romana. Colocava a bola onde queria. Não inventou a folha-seca antes do mestre Didi, porque ninguém sabia dar nome às órbitas extravagantes que seu chute descrevia.
José Eduardo tinha percentagens das qualidades de ambos. Era duro, chutava bem e forte, tinha meneios de corpo que quase sempre entortavam o adversário. Sem ele, o time não fazia gols.
Os demais compunham a coadjuvância necessária e muitas vezes desnecessária ao rendimento do time. Maltratavam o capotão com convicção e boa vontade, mas com uma inoperância de fazer corar as tapiocas. Serviam para realçar os três e ceifar as canelas do adversário: a infantaria rasteira.
O time adversário, o Vasco, treinado em campo quase oficial, merecia respeito, mas não metia medo no esquadrão tronchense. Eram onze contra onze, e o resto só Deus e o juiz poderiam decidir.
Na entrada do campo, Eduardo olha o troféu brilhante, esperando pelo vencedor no fim do jogo.
No centro de campo, trocam-se as flâmulas, e se decide quem vai jogar também contra a ventania que não era forte, mas atrapalhava os de chute fraco e compleição física um pouco aquém das medidas. José Eduardo colocou a bola oficial, nova, virgem ainda, no centro do grande círculo.
Começa o jogo. O Vasco dá a saída. Durante os cinco primeiros minutos, a Internazionale não pegou na bola. O Vasco trocava passes tentando atrair a Internazionale, abrir espaços e lançar um molecote que, pelo que se sabia, era veloz e driblador. Na primeira oportunidade, o lançamento foi feito e o molecote escorregou pela esquerda sem tomar conhecimento de Chanha, que correu tentando alcançá-lo. Veio o cruzamento na área, e o centroavante quis dançar na frente de Zezebu. Coitado! Sentiu-se atropelado por um rinoceronte, por uma jamanta carregada, mas tudo dentro das regras e sem que o juiz visse qualquer coisa que ferisse a ética desportiva.
A bola chegou aos pés de Zefininho, e ele estranhou alguma coisa. Não sentiu nenhuma intimidade com ela. Tentou um lançamento para José Eduardo, mas o chute saiu torto, quase um presente para o adversário que, com quatro passes na intermediária, leva o Vasco ao primeiro gol.
Alguma coisa estava errada. Onde os passes, os lançamentos, os dribles, de Zefininho? Cadê os arranques de José Eduardo, com a bola quase presa aos pés por um cordão invisível? Nervosismo da estréia, erros do plano tático, que existia mesmo que eles não soubessem o que isto significava?
Quando terminou o primeiro tempo, a Internazionale perdia por três a zero. E só não perdia por mais devido a Zezebu, que fez de sua grande área uma espécie de forte Álamo.
Voltaram para o segundo tempo com os ânimos redobrados, mas com as chuteiras apertando os dedos como se fossem uma espécie de garrote vil esportivo. É que Nequinho Sapateiro improvisou: havia feito as chuteiras com formas de sapato fox, e o bico que dava a elegância no passeio e nas festas agora torturava todo o esquadrão da Troncha. Que fazer? Além disso, a bola e o campo não combinavam. No ar, a geometria da bola oficial não traçava as parábolas que Zefininho imaginava. Ele, familiarizado com a geometria do capotão de Eduardo, sabia exatamente dar o desconto, calcular os ângulos, usar senos e cossenos, tangentes e cotangentes para traçar uma resultante perfeita que agora não saía. Aquilo tinha outra geometria. No solo, o campo aplainado repetia a tortura: onde o casamento perfeito entre os montinhos e buracos do roçado e os cogulos do capotão? A bola oficial e o campo aplainado tinham outra lógica, mais fácil e menos erudita, mas nem por isso menos difícil de ser apreendida, pelo menos no imediato de uma partida, com o time já perdendo de três a zero.
Numa dividida, Zezebu estoura a bola oficial. No intervalo para a troca de bola, Eduardo, como capitão do time, manda todo mundo tirar as chuteiras, e o jogo recomeça com o campo já bastante esburacado,- e com o capotão de Eduardo. Apesar dos dedos em labaredas, a Internazionale retoma o mando de campo. Agora era a arte, o artesanato, a geometria não euclidiana quem mandava. Zefininho bailou como um deus, fazendo sorrir Leônidas e Heleno, lá no alambrado. José Eduardo destroçou a defesa adversária e fez três gols. Mas não havia mais tempo. A Internazionale salvou a honra da Troncha com o empate.
Eduardo pegou a taça e, como gentileza, presenteou-a ao Vasco. No calor da comemoração pelo desastre evitado, reuniu seu esquadrão, nos modos daqueles gritos de guerra na boca dos túneis, e deu a palavra de ordem:
- Amanhã bem cedo, vamos fazer a roça no campo, e de hoje em diante o capotão é a nossa bola oficial!
O resto do time, talvez querendo exorcizar a derrota que passou tão perto, deu um gritou que assustou as bandeirolas:
- Urra!

* Contista paraibano.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Santo de casa não faz milagre...

Pois é amigos, principalmente Artur e Aécio, estamos ferrados...
O Italiano, ou melhor, Romano, torcedor da Roma (eu disse DA Roma), já enviou o seu segundo texto...o pior é que ele parece que está comprovando a velha máxima!

Para quem não entendeu, Andrea deu mais um show de bola na sua nova coluna.
Visitem e comentem.

Bosco, o editor que está deixando de ser carrasco