quinta-feira, maio 25, 2006

Nada Além


Lá pelo final da década de 30 o saudoso Mario Lago escreveu os versos abaixo:

Nada além,
Nada além de uma ilusão
Chega bem, é demais para o meu coração
Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz
Eu vou vivendo assim feliz
Na ilusão de ser feliz

Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor, bem melhor a ilusão
Do amor
Eu não quero e nem peço
Para o meu coração
Nada além
De uma lida ilusão.


Depois de ontem me quedei pensando:será que não era melhor vivermos a ilusão do amor na segundona, do que o sofrimento e dor dos tempos atuais?

terça-feira, maio 23, 2006

Como os nossos pais

Amigos, estava eu aqui pensando com meus botões sobre a principal escolha que um ser humano pode fazer na sua vida. (fui aos meus alfarrábios e reli todas as psicologias e filosofias de Caprichos e Contigos da vida). Uma escolha que vai ser determinante no faturo e na formação da personalidade do sujeito. É por causa desta decisão que o indivíduo pode se tornar um daqueles babacas metidos a besta, ou um cara com complexo de inferioridade irrevogável. Em alguns casos pode tornar-se uma pessoa legal, nem metido, nem inferiorizado. Ou, na minoria dos casos, um sujeito que não está nem aí pro mundo. O pior, amigos, é que esta escolha se dá ainda na infância – logo, ela passa longe de ser qual carreira seguiremos, ou qual será a nossa companheira, ou companheiro, até os últimos dias. Como pode uma simples e ingênua criança ser obrigada a tomar tamanha decisão? Como pode recair sobre os ombros de uma simples e imatura criança, que mal aprendeu a falar, o peso uma decisão que vai lhe influenciar pelo resto da vida? A principal decisão da vida de qualquer ser humano é a escolha do clube de futebol que irá torcer.

O pior, amigos, é que o principal inimigo pode estar bem próximo. Qual de vocês, leitores, não teve na figura paterna o principal incentivador pelas cores que hoje adoram? Serão poucos, pouquíssimos, eu afirmo. Quando não foi por ação, foi por reação. Não há outra saída! Vejamos então como tudo começa:

Tudo começa naquele dia de festa, no dia mais esperado do ano (na verdade começou antes, mas para encurtar a conversa, vou começar por aqui), na maternidade, bem ali, na sala de partos. Enquanto a mãe esperneia de dor, em caso de parto normal, o pai está a postos, esperando pala saída do rebento, com a camisa do seu time na mão – no meu caso, o Santinha. A primeira visão que o recém nascido tem do mundo exterior à placenta é a camisa do Santa Cruz. Aquilo vai ficar bem guardado no subconsciente do bebê. Para ele, aquilo se transformará na imagem do paraíso. Eis o primeiro passo para a tomada de decisão.

Pai que é pai, porém, é ardiloso, eu diria até maldoso, frio e calculista, não se contenta apenas com isso. Nem bem o garoto sai da maternidade e ao chagar no seu novo quarto, que deveria estar todo enfeitadinho de bichinhos e brinquedinhos, pintado com cores leves, ele se depara com um quarto pintado em três cores. Vermelho. Branco e preto. Bichinhos, nenhum, aliás, uma discreta cobra coral em forma de almofada que está circulando o quartinho da criança. E claro, uma bola de futebol. E a primeira associação que uma criança faz na vida é que aquela primeira imagem do mundo exterior tem alguma coisa a ver com aquele brinquedo esférico. Que depois ele irá chamar de bola.

O pai não pára por aí. Não, amigos, ele ainda esta começando. Meses depois, quando o bebê já está engatinhando e já não consegue mais parar de brincar com aquela bola (a mesma do parágrafo acima) e começa a balbuciar as primeiras palavras – mamã, papa – o pai, que não é besta, começa a sussurrar no seu ouvido uma outra palavrinha que será a terceira a sair daquela boquinha sem dentes: Santa! E já sai com exclamação e tudo. Está dado o segundo passo.

A criança cresce mais um pouco e começa a entender o mundo e o pai já começa a encher seus ouvidos com histórias do passado. Começa a falar das glorias do time, que agora a criança já compreende, das três cores. Mas o pai é mau, tem um verdadeiro pacto com o diabo. Enfeita todas elas, parece até narrador de rádio. Explica pro filho que aquele é o verdadeiro time do povo, que surgiu sem preconceitos, “imagine, meu filho, em 1914 um negro desenhar o escudo de um time”, diz feliz da vida. “naquela época, os negros e os pobres eram proibidos de jogar futebol. Esse time meu filho, é o mais democrático do país”, completa entusiasmado. A criança não entende bem o que significa democrático, mas gosta da palavra e tem certeza de que aquilo é bom.

O pai diz que foi um goleiro do Santa Cruz o primeiro a defender um pênalti de Pelé. Diz ainda que nos anos 40, o Santa tinha um certo atacante, chamado Tará, que fez 10 gols num só jogo. Não importa, e para isso o pai usa a tática de Ricúpero, se quando defendeu o tal pênalti, Aníbal não jogava no Santa, ou se Tará era jogador do Náutico quando realizou a proeza. Conta ainda sobre um jogador chamado Marinho, o Diabo Loiro, um craque esquecido no fluminense e que barbarizou jogando pelo Santa e foi a maior transação que o futebol viu até aqueles anos. O pai fala de Nunes, um centro avante de cabelos vermelhos que saiu da seleção por pressão de um presidente autoritário. A criança não entende e pergunta o que é autoritário. O pai responde: “autoritário é quem não é democrático, os do bem são os democráticos, os do mau, são os autoritários”. Com uma porrada só, o pai mata dois coelhos. O filho vai começar a simpatizar pela democracia e vai gostar ainda mais do Santinha, afinal, o Santinha já nasceu democrático. Está quase tudo certo, os riscos do filho tomar a decisão “errada” são mínimos.

Depois desta etapa, o pai precisa levar o garoto ao campo de futebol. A criança precisa conhecer pessoalmente aquele time de tantas histórias. É preciso escolher bem o jogo, entretanto. Calmamente, o sujeito espera pela data ideal. Santa Cruz e Íbis, de preferência num dia de chuva, criança adora tomar banho de chuva. Assim, são mais três coelhos. Ele vai ter a desculpa perfeita pelo pouco público e a criança vai poder correr e pular na chuva sem que a mãe fique reclamando. O terceiro, é que não haverá o menor risco de derrota. É preciso explicar que uma derrota agora, pode por todas as outras etapas pelo ralo. Então o pai começa a falar sobre o adversário do dia. Diz que o Íbis é um time muito bom, com vários títulos e que realizara proezas semelhantes às do Santa. O filho fica na dúvida, é um momento crucial. Ele começa a simpatizar por aquele outro grande time que o pai acabou de lhe contar. O pai está tranqüilo, isso quer dizer que toda a preparação anterior foi um sucesso, e sabe que depois da goleada, o garoto nunca mais deixará de ser tricolor. O ritual se repete algumas vezes, mas apenas por precaução.

É assim que uma criança toma a principal das decisões. Vejam, amigos, a que ponto pode chegar a maldade de um pai. Pobre criança iludida. Depois que se escolhe um time, não se pode mais mudar. É aquilo pro resto da vida. Mesmo agora, quando nos sentimos os maiores cornos do mundo, traídos pelo seu mais fiel dos amores, continuamos a amar mais ainda. Temos vontade de esganar quem nos criou tamanha ilusão, mas o pai, agora velho também está sofrendo, ele queria apenas alguém para sofrer junto com ele. Desistimos do crime. Não há mais o que fazer, a não ser esperar que tenhamos nossos próprios filho para fazermos como nossos pais.

Felizes são os filhos dos pais que odeiam futebol!

domingo, maio 21, 2006

O Adventista

Amigos, acabei de receber um comentário que pode ser a salvação da lavoura. “O Santa está jogando mal em protesto contra a falta de atualização deste blog!” Perfeito, ele agora está atualizado. Só falta o time jogar bem... vixe Maria!

A verdade é que não ouvi o jogo contra o Palmeiras, não sei se o Santa jogou melhor, se mereceu perder ou merecia melhor sorte, li agora que Bruno Lança foi expulso ainda no primeiro tempo. Não sei se isto foi determinante, ou se servirá apenas como mais uma desculpa. Não sei mais de nada! Não entendo de futebol e estou quase desistindo do esporte bretão. Eu disse quase porque ainda há esperanças, ainda existe o Barcelona e seu futebol maravilhoso, existe Ronaldinho Gaúcho, existe Copa do Mundo! Nunca uma copa chegou num momento tão providencial.

Já disse e repito, não vou ouvir os jogos do Santa até a primeira vitória, se é que ela virá! A cada domingo me torno um sujeito mais deprimido, pessimista ao extremo. Não acredito mais que possamos sair dessa, em verdade acredito piamente que vamos sair dessa...divisão! não acredito que o Brasil ganhará a copa, não acredito em Deus e estou seriamente duvidando da existência dos tais deuses do futebol. Estes é que não existem! Não é possível que existam deuses tão ruins, não seriam deuses, mas talvez demônios do futebol.

Amigos, eu já fui um eterno otimista, quase adventista, acreditava em tudo, tinha esperança em tudo. Acreditei que o Santa poderia ser uma potência do futebol, que ganharia o Pernambucano deste ano. Já acreditei em tudo, acreditei na Nova República, fui até fiscal do Sarney, imaginem! Depois cheguei ao cúmulo de acreditar na seleção de Lazzaroni, acreditei sim, sobretudo após o primeiro tempo espetacular daquele jogo contra a Argentina. Por fim, acreditei no Lula e no PT! ACABOU! Não acredito mais em nada! Fodam-se os deuses do futebol!





PS. Quando passar o momento, talvez eu volte a acreditar...

quarta-feira, maio 03, 2006

PARAIBANO 2006: TREZE É O FAVORITO

Olá, blogueiros.

Na nossa coluna mensal iremos tratar da reta final do campeonato paraibano de Futebol. Boa leitura e divirtam-se.


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