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terça-feira, janeiro 16, 2007

O CHOQUE DE GESTÃO DA PARAÍBA

Por Maio Spellman

Enquanto a temporada de futebol não se inicia, vamos falar de política. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo. FELIZ 2007!!

As recentes medidas tomadas pelo reeleito governador da PB as quais atingiram o funcionalismo estadual nas categorias concursados e cargos de confiança (apadrinhados), motivadas pela necessidade de conter despesas, apenas comprovaram, a falência do estado em termos de zelo pelo serviço público. O que significa para a população e para o funcionário o horário corrido, das 12h às 18h nas repartições públicas? O que significa o servidor poder optar pela disponibilidade, recebendo menos salário?

Fosse o Governador, humilde e democrático como demonstra ser em suas aparições e discursos públicos, teria criado um plano de contigenciamento que envolveria toda sociedade. Teria chamado à participar representantes das Universidade públicas do Estado, representantes dos conselhos profissionais das diversas categorias e representantes do funcionalismo público estadual, os mais atingidos com tais medidas. Sob esta ótica, as medidas possuem um caráter ditatorial. Mais: outros Estados que possuíam rombo maiores do que a PB, tomaram medidas diametralmente opostas: Enxugaram o organograma da administração, aumentaram a capacidade de arrecadação, estabeleceram metas no gerenciamento de despesas, criaram critérios para contratação dos cargos comissionados e implantaram indicadores e bonificações para os servidores públicos.

A sensação que se tem é a de que o atual governador, pairando por aqui através de ancestrais e capachos políticos, desde 1990, percebeu, que depois de tanto tempo, houve um estouro do orçamento do Estado. Inegavelmente, as evidências mostram que depois de mais de dez anos de enorme desmando administrativo, depois de farras inomináveis promovidas com o dinheiro público para abrigar todo tipo de apradrinhado, assecla, cumpincha, assessor para porra nenhuma-ASPONE, percebendo salários de até R$ 3.000,00, no governo estadual da grande família, depois de anos de erros de prioridade de administração que optou por dar pão e circo ao povo, o governador reeleito viu que a falência estatal fica logo ali, porque está em extinção o trigo para fazer o pão e a lona para cobrir o circo. Divide o ônus com todos. Já o bônus...

Os tempos são outros. A conjuntura atual força uma busca pela moralidade no trato da coisa pública e empurra os governantes a agirem com sapiência e ética. A conjuntura os tem forçado a substituir velhas práticas ditatoriais do coronelismo por práticas sábias, lúcidas e éticas a luz da lei e da própria consciência. Neste sentido, qualquer choque de gestão deverá respeitar a Lei e ter um caráter solidário e humano.

Não sei se o Governador foi movido por um momento de sapiência, lucidez e ética. Não sei se foi medo, porque “o medo tem muitos olhos e vê coisas no subsolo”(Cervantes). Também não sei se as medidas darão certo e acredito que nem o próprio governador sabe. Apenas sei que a Paraíba nunca enriqueceu com a forma Cunha Lima de governar.


spellman@uol.com.br