terça-feira, março 11, 2008

Essa noite eu tive um sonho

Momentos de alegria com o Santa Cruz estão cada vez mais raros. A coisa anda tão feia que nem achei ruim a saída de Carlinhos Paraíba, nosso único ídolo. (ainda tínhamos um ídolo?) Confesso, não achei ruim, tampouco achei bom. Fiquei indiferente. Isso é ruim, muito ruim. Não quero aqui ficar, ou arranjar, explicações para o nosso descalabro. Isso é fácil. Todos já sabemos a ladainha dos últimos 20 anos. Até os tricolores – raros, é verdade – que ainda não nasceram já sabem essa história.

Permitam-me um parênteses, alguém teria a coragem de transformar seu filho recém nascido em tricolor? Eu não. Confesso outra vez. Se tiver um filho um dia, torço para que ele adore esportes mais emocionantes, como o golfe, críquete ou outro do tipo. Nada de futebol. Também não vamos esculhambar né?Não quero que ele torça pelo Santa, mas se o desgraçado chegar em casa com roupinhas da coisa, ou modelitos da barbie vira baby bife na hora.

Voltando ao assunto da falta de alegria tricolor, ainda espero uma. A morte. Ao contrário do que muita gente pensa a morte é uma saída digna. Vejamos minha tese. Estamos na série C, e vamos com muita vontade para a segundona do pernambucano. A gente já está na UTI mesmo, os ratos não vão mesmo deixar o osso. Estamos tão doentes que nem o Dr. House é capaz de encontrar uma cura.

Então, ora bolas, por que não desligamos os aparelhos logo?

Depois faremos o seguinte: ressuscitaremos o Santinha! Ou como diria o Tarso Genro refundaremos o Santinha. Criaríamos o Santa Cruz Futebol e Cultura (essa é minha sugestão de nome, se o texto não for auto-explicativo, explicarei mais tarde o porquê dela).

Este clube nasceria sem dívidas, com uma nova direção, e principalmente com um novo modelo de gestão, mais participativo e democrático. Transparente acima de tudo. Com milhares de sócios e milhões de torcedores. Este clube nasceria no dia 3 de fevereiro, no pátio de Santa Cruz, no Recife; seria tricolor, encarnado, branco e preto; seria um clube do povão, e primaria pela formação de jogadores. Aí uma diferença, formaria não só um jogador de futebol, mas um cidadão, para jogar de base neste novo time, o garoto teria que estudar, o clube daria alguma ajuda de custo para os que são arrimos de família, ou apenas ajudam em casa trabalhando. Seria uma espécie de Bolsa-escola tricolor. Além de estudar numa escola formal, a garotada também estudaria a história de um antigo clube de futebol que existiu em Recife há muito anos, história da sua terra – “a solução são os bascos”, já dizia o Perrusi há alguns anos. Aprenderiam essa história como se fora a sua própria. Os jogadores deste clube teriam cultura, uma cultura em três cores.

Depois de alguns anos de sofrimento, calculo 5, este clube já estaria disputando de igual pra igual o Pernambucano. Estaria na série b do brasileiro, disputando para subir, ou, quem sabe com algum golpe de sorte, já estaria na série A. Aí outra diferença, o Santa Cruz Futebol e Cultura teria estrutura. Nome limpo na praça. Seria atrativo e não o contrário. Quanto ao estádio, no começo usaríamos os dos nossos rivais, fazer o que? Já fizemos isso outras vezes e provavelmente voltaremos a fazer. Entraremos na briga pela Arena da copa do mundo, o Arena coral não sairá do papel mesmo... assim, em 2014, ano cabalístico, teremos um estádio moderno e digno da nossa grandeza.

Para quem pensa que isto é impossível, eu cito o exemplo da fiorentina, que faliu, se acabou, nasceu de novo com outro nome, disputou as divisões inferiores do campeonato italiano e conseguiu voltar e, principalmente, se manter na séria A do Calccio. E convenhamos, que são 5 ou 6 anos frente aos 20 e tantos que levamos sofrendo?