Amigos,
Eu hoje iria finalmente escrever um texto sobre o Mestre Telê, mas resolvi mudar e apenas copiar um texto publicado no Blog do Santinha. Um texto sobre o racismo no futebol brasileiro, especificamente o pernambucano. A verdade é que há muito, desde a época em que o texto abaixo foi escrito, esse tipo de atitude criminosa me causa uma profunda vontade de escrever algo e, ao mesmo tempo, me impede. Confesso, eu simplesmente não consigo escrever um texto interessante sobre o tema, não consigo porque o hediondo racismo me da uma raiva desgraçada, que acaba por atrapalhar a escrita. Não acho que o tema mereça um texto raivoso apenas. Merece muito mais, além da indignação, ele merece uma profunda reflexão.
Com este texto - que não é meu, repito – eu entro de vez na campanha iniciada pelo citado Blog do Santinha, me disponho a ajudar no que puder. Até mesmo controlar a minha ira e conseguir escrever algo que goste.
Para finalizar, faço outra confissão. No último jogo da Série B do ano passado, em alguns momentos eu cheguei a torcer contra o Santa. Foi um sacrilégio, eu sei, mas ao ouvir e ver(estava lá) a torcida tricolor fazer gestos e gritos racistas para o atacante angolano Jonhson, da Portuguesa, o sangue me ferveu. Torci para ele fazer um golaço de cala a boca! Pronto, quem quiser criticar, fique à vontade. O Santa Cruz, para mim, só não está acima da RAÇA humana. O mais triste é saber que o texto abaixo também serve para a nossa torcida, PRETA, BRANCA E VERMELHA.
PATÉTICOS RACISTAS (título original)
Por Rodrigo Carneiro Leão
Quem acompanha a imprensa esportiva com regularidade já deve ter conhecimento das manifestações racistas de torcedores europeus. São freqüentes os xingamentos e as faixas contra os jogadores negros, latinos e não-europeus em geral.
Talvez o caso mais marcante tenha sido o dos torcedores da Lazio, tradicional clube romano. As ofensas racistas vindas de sua torcida se tornaram tão constantes que o Presidente da Lazio - envergonhado - ameaçou proibir a entrada de seus próprios torcedores durante alguns jogos de sua equipe. Um dos jogadores mais atingidos por esses ataques racistas vem a ser, justamente, o Cafu, lateral direito do Roma (maior rival da Lazio).
Pois é: Cafu - titular da seleção brasileira.
Outro lateral titular da seleção - Roberto Carlos - já teve seu carro apedrejado e pichado por torcedores europeus com a seguinte ofensa: "Macaco".
Pra quem ainda não sabe, os argentinos (que se pensam europeus acidentalmente nascidos na América Latina) costumam se referir aos brasileiros como "Los Macaquitos" - acredito que vocês não imaginam que eles estão nos elogiando.
Quem acompanhou a imprensa esportiva após o último jogo entre Náutico x Santa Cruz não viu nenhum comentário (nenhum!) sobre as manifestações racistas da torcida do Náutico. Quem foi ao estádio dos Aflitos sabe do que estou falando. Sempre que o goleiro do Santa (Nílson - que, além de excepcional goleiro, é negro) pegava na bola, os torcedores alvirrubros imitavam o barulho de um macaco. Talvez você imagine que era "coisa de uma minoria". Se você foi ao estádio, você sabe que não. Tenho certeza que alguns torcedores do Náutico ficaram envergonhados e não participaram dessa palhaçada. Infelizmente, estes sim eram a minoria.
Se o racismo dos europeus pode ser classificado como vergonhoso e imbecil, o que dizer do racismo dos brasileiros (ainda mais nordestinos?!) ?
É curioso imaginar qual será o comportamento destes patéticos racistas durante a Copa. Sim, porque não sei se vocês perceberam, mas a atual seleção brasileira é a mais negra dos últimos anos.
Talvez, eles, os arianos-brasileiros, façam como Le Pen (o líder da extrema direita francesa afirmou não torcer para a seleção de seu país - campeã mundial - em razão da grande presença de negros e descendentes de imigrantes entre seus jogadores).
Não, é evidente que não.
Os racistas de anteontem certamente irão vibrar com os gols de Ronaldinho Gaúcho, de Rivaldo e de Edílson.
Porque esta é a face mais desprezível de nossa sociedade: a hipocrisia. É mais fácil manter e controlar nossas desigualdades sociais e raciais com a tão divulgada (e não menos falsa) "democracia racial" da sociedade brasileira.
E essa covarde hipocrisia está presente nos comentários do tipo "- Mas era só uma brincadeira. Uma provocação normal em jogo de futebol." Duvido, porém, que a torcida do Náutico esteja preparando alguma provocação relacionada à cor da pele de Rodrigo Pontes (jogador do Santa que deu uma injustificável cotovelada no jogador Fumaça do Náutico. Detalhe: o agressor é branco e louro; o agredido é negro).
Também a absoluta omissão da imprensa pernambucana é vergonhosa. Mas não é surpreendente. Simplesmente porque nós achamos que foi uma "coisa normal".
Mas, na verdade, eu queria agradecer aos racistas alvirrubros. Porque anteontem eles me fizeram lembrar de tudo o que eu mais desprezo na sociedade brasileira: sua elite medíocre, burra e covarde. Finalmente, eles me lembraram o orgulho de poder afirmar: "Eu sou preto, branco e vermelho"
Recife, 30 de maio de 2002
sexta-feira, abril 28, 2006
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