domingo, junho 18, 2006

Foi horrível!!!!!

Horrível como a cara do seu técnico, assim eu descreveria a partida que o Brasil fez hoje. Desculpem os que defendem o resultado, mas eu sou de outra turma, sou daqueles que apreciam o espetáculo e esta é uma seleção para dar espetáculo. Simples. Há muito tenho uma tese – eu e minhas teses – de que esse time só ganhará a copa se jogar bonito, se jogar como sabe, mas como todos sabemos, seu comandante não é fã da beleza. Como diz meu amigo Perrusi, síndrome de pintor frustrado!

Sejamos sinceros, depois de sermos penta, de termos os melhores jogadores do mundo, será que um título com futebol horripilante é necessário? Aí virão os defensores do ganhar a qualquer custo perguntar: e a seleção de 82, o que ganhou? A resposta é simples, ganhou o amor de toda uma geração. Qualquer pessoa na faixa dos trinta, ou mais, lembra daquele time maravilhoso, um time que jogava FUTEBOL, isso mesmo, maiúsculo, jogava e ganhava, como bem disse o nobre Aécio, a vitória também é um resultado. Perdeu apenas um único mísero jogo contra a Itália e aí se criou a terrível frase: “jogar bonito e perder não vale nada”. Será? O pior é que o mesmo raciocínio não é usado para as infindáveis derrotas italianas, a mais famosa seleção a praticar o anti-futebol. Os italianos perderam muito mais que ganharam nesta modalidade e ninguém diz nada.

Desculpem o desabafo, mas eu não consigo compreender um time que tem vocação para o espetáculo ser tão roubado nesta vocação. Não admito essa conversa mole de equilíbrio para justificar mediocridade. Antes que pensem que sou mais chato do que realmente sou, eu digo que comemorei como uma criança o título de 94, mesmo com o futebol feio que foi. Ali, entretanto, eu tinha mais motivos para a comemoração. Nunca havia visto tal façanha, sonhava e sempre pensava na tragédia que seria morrer sem ver o Brasil campeão. Vou mais além, acho que o Parreira foi perfeito naquele momento. Não tínhamos grandes craques no meio campo, dependíamos unicamente da genialidade de Romário. E assim foi. Hoje, meus amigos, a história é outra. Agora entendo perfeitamente, e sinto a mesma coisa, o comentário que meu pai fez assim que Baggio mandou aquela bola pro espaço. “Ganhar assim, era melhor perder”.

Enfim, pra mim, o título só vale se for dando espetáculo. Já vi dois títulos mundiais e não me importo de ver o terceiro a todo custo. Quero uma seleção que me faça sentir o que senti há 24 anos. Assim não me interessa. Acho que se as coisas continuarem do jeito que estão, vou torcer pela Argentina!

OBS.: Alguém pode me responder o que o Parreira tem contra o Juninho?

3 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, lidar com frustração, como dizia Freud, é de lascar! Como confiar num pintor frustrado, eis a questão. E logo na Alemanha, onde teve um pintor frustrado que quase destruiu a Europa. Cada quadro pintado por Parreira é um atentado contra o sublime. Pena que a seleção que poderia repetir 82 tenha caído nas mãos desse celerado. O melhor técnico para essa seleção seria o técnico do Barcelona, Rijkaard.

Posso até compreender 94; afinal, a seleção não era lá essas coisas. Mas jogar assim agora dessa forma é imperdoável, revoltante. Parreira é um "fascista" do futebol. Detesta jogo bonito. E essa fornicação com Ronaldo... E deixar um cracaço como Juninho no banco... E Robinho...

Em 82, o futuro do futebol estava em jogo. E ganhou o Mal Encarnado, a Itália. Hoje, estamos numa situação paradoxal: o Mal Encarnado ressurge materializado justamente na seleção identificada com a Beleza. São as artimanhas do Cão! O Belo produzindo o Horror. Pelo bem do futebol, teremos de torcer pelos... argentinos.

Luiz Mendes Junior disse...

Não discordo de vc em tudo o que diz e seus posts são muito bem escritos, mas, além de jogar bonito, um time que pretende brilhar e "jogar bonito" precisa aprender a não deixar o adversário jogar bonito, pq enquanto o Brasil e boa parte de sua torcida imagina que todas as soluções se encontram em melhorar a criação, outras seleções entendem que o funcionamento da criação também depende da capacidade de destruição. A Argentina tem um time criativo, que as vezes brilha e as vezes apenas joga eficientemente, porque no futebol as coisas são assim mesmo, e nem sempre se consegue jogar o seu melhor futebol, pq as profilaxias do adversário tb precisam ser levadas em conta. A Argentina sabe brilhar e sabe NÃO DEIXAR BRILHAR, e no futebol de hoje, isso é imprescindível. Sei que discordará de mim, mas se o time de 82, que era realmente genial, entrasse numa máquina do tempo para jogar hoje, precisaria trocar parte de seu elenco, pq marcava mal, mesmo para sua época. Hoje, o futebol dá menos espaços para a técnica e a habilidade, que continuam sendo decisivos, mas precisam de sustentação física e tática para funcionarem como diferencial. O problema dessa seleção de 2006 foi falta de preparação e excesso de confiança no time da copa das confederações, que venceu uma Argentina e uma Alemanha inferiores às que se apresentam agora. Muitas vitórias geram soberba e relaxamento.

Bosquímano disse...

Luiz, vamos por partes.

Concordo com você no que diz respeito a não deixar o adversário jogar, mas isso não é característica dos times do Parreira. Nenhum time do Parreira marca por pressão. Nem dele, nem a Argentina de Pequermam. O time do Bielsa fazia muito isso, mas este não. Então não é por isso que ele jogou muito bem a primeira fase. Digo a primeira fase, porque ontem contra o México, um dos maiores problemas da Argentina foi a falta de apoio pelas laterais, sobretudo pela esquerda, com Sorín. Na única vez que ele subiu saiu o gol da vitória. Sem as subidas, o time jogou muito pelo meio, facilitando a defensiva do México. Isso vale para o Brasil quando joga com os dois trombadores. Mas acho bonito, sim, quando um time não deixa o outro jogar. Por isso eu era fã da Argentina do Bielsa.

Mas a questão não é exatamente essa, ter uma boa defesa não exclui um ótimo ataque. O Barcelona provou isso esse ano. Foi a melhor defesa e melhor ataque da Liga. NA champions, que tem basicamente a mesma fómula da copa, o Barça Jogou ainda melhor e deu mais espetáculo, até quando não se esperava tanto, como na partida contra o Chelsea em Londres. Você não acha que esta seleção não poderia ser um barça melhorado, eu tenho certeza. Em relação a profilaxia dos adversários, concordo com vc, é preciso levar em conta, e tanto eu concordo, e não entendo o Parreira, que se o sujeito sabe que vai entfrentar uma retranca, ele deveria saber que não são dois tanques que vão abrir o cadeado. A melhor maneira de se abrir uma retranca é com muita movimentação e dribles, para desarrumar o posicionamento do adversário. Tudo o que, nós, amantes do bom futebol, queremos. Uma seleção de muita movimentação e muitos dribles. Com algum cuidado defensivo.

Quanto ao time de 82 marcar mal, até para a sua época, pode até ser. Entretanto, na fatídica partida do 5 de julho, contra os italianos, o time só levou um gol por falha de marcação, o primeiro que foi causado por uma falha de Jr. Os outros não; o segundo foi um erro do cerezo, aquele passa de trivela; e no terceiro foi aquela coisa maluca estavam os 11 jogadores na área, a bola foi rebatida e houve um bate rebate que sobrou pro Rossi. Paciência. Aquela seleção não perdeu por causa da sua marcação. Perdeu porque se ganha e se perde em futebol. a Itália jogou bem, eu diria até melhor do que o Brasil, mas tivemos chances de matar aquele jogo. O Pênalti não marcado em cima de zico, o chute errado de serginho, da marca do pênalti, uma bola fácil, facinha e ele chutou bisonhamente, só para falar duas na primeira metade do primeiro tempo. A verdade é que se Telê entra com um time mais precavido naquele jogo, ele teria sido morto em praça pública, aquele time encantou o mundo jogando daquela forma. Só por curiosidade, na sua época, a seleção de 70 marcava pior do que a de 82, na sua época. Quanto à máquina do tempo, eu não sei, não sei mesmo. Talvez até voce tenha razão, mas eu não consigo fazer essa comparação, juro que não consigo.