segunda-feira, outubro 15, 2007

“O benefício da distância”





Em agosto estive rapidamente no Brasil e o meu primeiro compromisso sério foi ir ao Arruda ver uma partida do Santinha. Estava seco! Inventei mil histórias para justificar atravessar um oceano. Mentira, confesso que era tudo mentira. Eu queria mesmo era ir ver o Santinha. Lia com uma inveja desgraçada os textos do Artur, Dimas, Inácio, Gerrá, Samarone e por aí vai, contando as boas novidades. Desde a eleição que queria estar de volta.

Engraçado, lembro de comentar com Artur que este seria um ano perfeito para estar fora do país. Os rivais na primeira e a gente se lascando na segundona... Enfim, as coisas mudam.

Pois bem, as invenções funcionaram e conseguir ir este ano a um joguinho do Santa. Diga-se, naquele momento trocaria sem pestanejar um ingresso de um Madrid x Barça, por um Santa Cruz x qualquer coisa (ops...). Então, como estava dizendo, consegui chegar ao Recife a tempo de ver um único jogo do Santinha, a estréia no segundo turno contra o time da Iputinga, aquele mesmo que tirou a cachorra de peruca da copa do Brasil, lembro de chegar parecendo um menino pequeno diante de uma bandeja de brigadeiros, tava tão feliz que errei o caminho do Arruda, confesso outra vez, errei. PONTO!

Ao chegar ao mundão, encontro Artur tentando convencer o famoso Geó - aliás, novo blogueiro – a entrar no Estádio. Como assim? Me perguntei. Como um tricolor que se preze pode ter essa dúvida? Perguntei-lhe. Geó, secamente respondeu:

- você tem o benefício da distância, companheiro.

Fiquei com a frase na cabeça por uns instantes, mas acabamos convencendo o sujeito a entrar. No final, ganhamos o jogo e fomos comer uma carne de sol. Além dos três pontos e de matar as saudades da minha casa, o dia serviu para conhecer pessoas que já admirava, como o Dimas e o Anízio.

Sábado passado, a tal frase voltou a minha cabeça. Estava com uns amigos em casa, comendo uma feijoada completamente adaptada a culinária espanhola. Era a comemoração antecipada do meu aniversário, portanto, não escutei o jogo. Vi, no mesmo horário, a partida entre Espanha e Dinamarca. De vez em quando dava uma conferida no placar. Obviamente não vou narrar os fatos, não é preciso, todos conhecem o fim de história.

A moral dela, entretanto, é que finalmente entendi que Geó tinha razão.

OBS.: estou morrendo de medo do rebaixamento, a nossa tabela daqui pra frente ta uma desgraça!


OBS 2.: A foto é de Anízio

terça-feira, outubro 09, 2007

JULHO:PAN-TAM-PAC-TRE

Por Maio Spellman


E o mês de julho foi o mês das siglas. As siglas PAN,TAM,PAC,TRE tiveram sua importância e relevância redobradas naquele mês e alcançaram o mais simples do cidadão. Não há aqui nenhuma constatação sobrenatural ou mística, mas as siglas nos orientaram no mês de Julho. Compulsaram nossas emoções nos fizeram falar sobre elas.

PAN- Os jogos Pan-americanos reúnem apenas os países das américas. A maior delegação foi a do Brasil. A abertura foi marcada por vaias ao Presidente da República, que por sua vez também não abriu oficialmente os jogos. Na minha humilde opinião, foi a maior manifestação de preconceito de classe que o Presidente Lula sofreu durante todo seu mandato. A impressão que deu, inclusive a própria mídia contribuiu para isso, foi a de que o PAN foi do Rio de Janeiro e não do Brasil. No final, o Brasil foi bem nas disputas pelas medalhas, mas nada vai apagar da história que pela primeira vez, um Presidente da República não abriu uma edição destes jogos.

TAM- Essa crise aérea é a soma de todas as incompetências e de todas as ambições que a sociedade constrói para poder compulsar suas sórdidas emoções e dar vazão a sórdidas atribuições de cargos que deveriam ser ocupados por quem de direito. Setores da mídia quiseram manipular o acidente da TAM para inventar uma crise política. Só faltaram dizer que foi o governo Lula que sabotou a aeronave e fez travar o manete na função aceleração. O acidente da TAM é fruto do fracasso de uma sociedade que não consegue assumir suas responsabilidades. A culpa sempre é do outro. Os acertos são “meus”.

PAC- O Programa de Aceleração do Crescimento é uma grande proposta contra o imobilismo que caracterizou mandatos e gestões desse País no que diz relação a saneamento e infra-estrutura das cidades. A PB recebeu em torno de trezentos milhões de reais, divididos entre João Pessoa, Campina Grande e algumas cidade da grande João Pessoa. O País que originou na política um ACM, também deu origem a um Lula. Infelizmente não vou poder votar novamente em Luís Inácio Lula da Silva.

TRE- O Dia 30 de Julho entrou para a história como o dia em que o Tribunal Regional Eleitoral cassou um Governador do Estado. O atual Governador da PB foi cassado, recorreu ao TSE e continua no cargo até o julgamento, mas além desse processo terá que enfrentar mais dois. Que a cassação sirva de lição!! Os gestores públicos desse País têm que parar com essa história de sentirem-se acima da Lei. A sociedade produz seus homens públicos. Estes poderão ser bons ou podem ser ruins, mas jamais poderão estar acima da Lei.

NAVALHADAS

-ARBITRAGEM DE FUTEBOL: Ter um campeonato de pontos corridos exige uma arbitragem de alto nível. Coisa que não acontece no futebol brasileiro. Os Juízes são inseguros, claudicantes e omissos em lances capitais. Ou muda os árbitros ou muda a CBF e sua Comissão de arbitragem. Ou os times se mudam do campeonato.

-CASSETA & PLANETA: Nunca gostei do Bussunda, mas parece-me que depois de sua morte a qualidade do programa caiu tanto que está precisando subir muito para ser baixo. As piadas são de péssimo gosto e o texto é sofrível .Bordões são repetidos e as piadas com o Presidente continuam. Obviamente que em relação ao Presidente Lula a abordagem é bastante diferente se comparada à abordagem que era dirigida a Itamar Franco ou a FHC. O Presidente Lula sempre é tratado como bêbado falastrão. Sempre surge na telinha acompanhado por uma garrafa. Por essas e outras o programa começa a sofrer processos na justiça.

-GREVE: Na UFPB os funcionários estão em greve há mais de 90 dias e não estão fazendo a mínima falta ao funcionamento da instituição. Apenas causam transtornos ao fecharem portões e proibirem a entrada de veículos. Semana passada alunos do CCT arrombaram um dos portões. O movimento não tem comando, não tem organização e é completamente despolitizado. Não tem nenhuma condição de sentar na mesa de negociação e por isso decretaram a greve de modo precipitado e inadequado. Isolado. Equivocado. Triste!!

SÓ!!

Nota do Editor: O texto foi enviado no dia 1 de setembro e, por um problema de memória, só foi publicado agora.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Apoio incondicional ao Blog do Santinha


Ainda que tenha apenas um único leitor, faço questão de divulgar esta arbitrariedade.


Apoio incondicional ao Blog do Santinha.


sem mais,


Saudações Tricolores


Ps. essa nao é a primeira vez que isto acontece. Recentemente, o blog acerto de contas foi vítima do filho do indivíduo.
Abaixo, segue a explicação do caso publicada no Blog do Santinha





O presidente da Futebol Brasil Associados (FBA), ex-presidente do Santa Cruz e ex-vereador do Recife, José Cavalcanti Neves Filho, entrou na Justiça estadual com uma ação para tirar do ar o Blog do Santinha.


Na ação, que tramita na 28ª Vara Cível da Comarca de Recife (www.tjpe.gov.br, processo nº 001.2007.022862-1), o presidente da entidade que gere os recursos das cotas de patrocínio dos clubes da Segunda Divisão pede a desabilitação do Blog que se transformou no principal fórum de discussões dos torcedores do time que ele presidiu, sob o argumento de que o intuito do Blog do Santinha seria “denegrir a imagem e a moral do autor”. Além disso, ele quer receber, a título de indenização por supostos danos morais, a quantia de R$100.000,00 (cem mil reais).
O processo judicial - direito constitucional de quem se julga prejudicado ou ofendido - foi ajuizado contra os jornalistas Inácio França e Samarone Lima, fundadores da página, que conta com a colaboração de, pelo menos, outros vinte tricolores.


A contestação de Inácio França foi apresentada ontem, defendendo que o sr. José Neves jamais sofreu quaisquer danos morais por conta das postagens publicadas pelo Blog desde agosto de 2005, quando o site foi criado, além de rechaçar o pedido de desabilitação do Blog.
Mais que vencer uma batalha jurídica propriamente dita, o Blog do Santinha informa aos torcedores corais e a todos que freqüentam esse espaço virtual que a nossa intenção é mobilizar blogueiros de todo o país, internautas, militantes pela liberdade na Internet, políticos e entidades da sociedade civil, para denunciar isso que entendemos como uma tentativa de censura à liberdade de expressão e uma tentativa de intimidação a quem exerce o direito de crítica, direitos considerados fundamentais pela Constituição Federal.


Como sempre aconteceu nesses dois anos, não fugiremos do bom combate por uma causa justa, tampouco deixaremos de lado o que nos encanta na vida: música, ironia, poesia, beleza, alegria e lágrimas… tudo isso que, vez ou outra, os internautas encontram no Blog do Santinha.


À Justiça caberá decidir quem está com a razão e que a justiça se faça. A quem entende que o pedido de desabilitação do Blog do Santinha atenta contra princípios democráticos, solicitamos que se engaje nessa nossa campanha, até mesmo para evitar novos casos similares.

P.S: por orientação do advogado de Inácio França, solicitamos que xingamentos, acusações, queixas, reclamações e/ou adjetivações não positivas contra o sr. José Neves sejam evitados. O Blog do Santinha não pretende se voltar para um triste passado que entende para sempre enterrado no Santa Cruz; pretende é conseguir o apoio de quem é contra a censura.

terça-feira, julho 17, 2007

El 'calcio' brasileño



Por DIEGO TORRES - Maracaibo - 17/07/2007 - El País

"¡Gracias, maestro!", le gritó un periodista compatriota, que hacía unas semanas le había criticado públicamente por sus ideas contraculturales. Dunga, el seleccionador de Brasil, se paseó por el estadio Pachencho Romero con una mueca de soberbia. Simuló no hacer caso a los aduladores. "Yo amo a mi país", repitió, tras asistir el domingo al levantamiento de la octava Copa América de Brasil. "Hemos hecho un gran trabajo", dijo. "Se ha visto el resultado de 34 días de concentración. He estudiado toda la trayectoria de Basile, y sus métodos, no sólo con la selección argentina, también en Boca".

Antiguamente, cuando Brasil conquistaba un título se lo atribuían al talento de sus futbolistas, a Romario, Ronaldo, Bebeto o Rivaldo. El triunfo de Brasil en Venezuela fue distinto. Representó el éxito de un entrenador: Carlos Dunga. El hombre ha organizado a la selección más creativa del planeta como si fuese un equipo italiano. Brasil ya no entretiene. Dunga repudia el jogo bonito que añoran sus compatriotas. Lo califica de "fantasía". "Yo sólo sé de hechos", insiste Dunga, que ha descubierto que la utilización discrecional de aforismos pragmáticos da importancia a los entrenadores. Después de derrotar a Argentina (3-0) en la final del torneo el técnico no destacó a ningún jugador. Recordó que todo se debe al bloque: "Es el triunfo del trabajo de los futbolistas".

Este trabajo se traduce en una estadística singular. Brasil, que hasta hace unos años no se destacó nunca por estar pendiente de sus rivales, hizo 38 faltas repartidas entre 11 de sus jugadores. Trece más que Argentina, que tuvo el balón pero no supo administrarlo. Los futbolistas más creativos, como Robinho o Diego, no brillaron. La final fue el partido de los centrales, Alex y Juan, que dieron una exhibición de despejes de cabeza. También fue relevante el trabajo de barrido de Josué y Mineiro. Los dos medios centros del São Paulo, campeones de la Intercontinental, levantaron un muro en el carril central. Sin desborde por fuera, Argentina se metió en el cuello de botella. Allí esperaba Josué, que hace días recordó que el negocio se ha puesto feo: "Ahora todos los entrenadores quieren que peguemos. Y yo pego".

Como sucede con los partidos condicionados por planteamientos propios del calcio, la final se decidió en un par de acciones más o menos circunstanciales. El error de la defensa argentina en el primer gol, culminado por Ayala, que se olvidó de que el perfil bueno de Baptista es el derecho, decidió gran parte del duelo. Luego Dunga habló del partido como de la precipitación de su plan maestro. Lo que no imaginó el técnico fue que Elano, su protegido, se lesionaría. Tuvo que sustituirlo por Dani Alves. El lateral del Sevilla, al que el seleccionador cuestiona por atacar demasiado, hizo un gran partido. Metió el centro que Ayala desvió a su propio arco y convirtió el tercer gol. Al salir de los vestuarios Alves habló en nombre de una plantilla resentida con la hinchada brasileña, que había pedido más manejo de pelota y menos especulación: "Nuestra camiseta tiene una historia única. Nosotros pedimos un poco de respeto. Muchos ni siquiera nos dieron la posibilidad de un empate".

Dunga está convencido de que su camino es el único posible. Habla con desprecio del Brasil de 1982, y de la generación que encabezaron Zico, Júnior, Sócrates y Falcao. "No ganaron nada", advierte. Cree que su fórmula coincide con el éxito. Y eso es lo único que le importa. Para documentarlo apela a su historial. Empezando por la Copa América que ganó en Maracaná en 1989, cuando él, que por entonces usaba flequillo, derrotó a la Argentina de Maradona con un centro del campo formado por Branco, Mazinho y Paulo Silas. Siempre se olvida de Romario. En 1989 y en la Copa del Mundo que obtuvo en 1994, Dunga prefiere considerar al genio como un accesorio. Sus referencias son Mazinho, Mauro Silva y él mismo, tres pivotes consagrados por Parreira en su escalada defensivista. A ellos, y a sí mismo, debió dedicar la conquista de Venezuela.

Nota minha: esses gringos não entendem nada de futebol. Será que eles não sabem que a Itália é a maior vencedora do futebol mundial?

domingo, julho 15, 2007

Desisto

no futebol o que vale é resultado!

Sou Patriota, brasileiro e não desisto nunca

o que é pior: perder da Argentina ou agüentar Dunga até a copa?

Amigos da Rede Globo!

Hoje serei mais verde a amarelo que Zagalo, que Dunga, que Pachecão, que aqueles que criaram o Pra frente Brasil. Hoje é dia de Brasil e Argentina, e nestes dias não dá pra ser outra coisa que não seja BRASILEIRO. Defensor do espírito da verde e amarela. Aquele espírito que fazia os adversários se borrarem de medo ao enxergaram a camisa amarela, a nossa canarinha.

Pois bem, em nome de tudo isso, hoje torcerei pela ARGENTINA. Com direito a por a camisa e tudo.

Brasileiros, uni-vos! A nossa honra está em jogo.

Temos que torcer pelos hermanos, os legítimos representantes do futebol brasileiro. Os legítimos representantes do futebol brasileiro são os... Argentinos. Essa é a verdade. Não há como fugir.

Nunca pensei em minha vida que fosse encontrar algum sentido vago de razão em Le Penn, líder ultranacionalista (bom eufemismo) francês, que ousou dizer (por outros motivos muito menos nobres, claro!) que aquelas seleções - tanto a que ganhou em 98, como a que foi vice, ano passado - não representavam o ideal francês. Faço dele as minhas palavras: há alguns anos que temos seleções que não representam o ideal brasileiro, começamos por 78, que perdeu; chegamos a 90, que perdeu; depois passamos a 94, que ganhou; depois a 98, que perdeu até chegarmos a de 2006, que... perdeu também. Curioso, o futebol de resultados analisado pela frieza dos resultados não deu tantos bons resultados.

(Excluo dessa lista a seleção do penta, porque quando o brucutu Emerson se machucou, o Felipão convocou o Ricardinho, longe de ser um Brucutu. Além do mais, ele deu liberdade aos três de frente para desequilibrarem. Assim vejo um pequeno, porém significativo passo para a humanidade naquele time)

Já mudei de assunto. Não queria cair na ladainha de jogar feio e ganhar X jogar bonito e perder. Pelo menos está provado que aqueles times que jogaram simplesmente pra ganhar, perderam bem mais que ganharam.

Vou-me embora ver o jogo.

Pra frente Brasil e Salve a seleção... Argentina!!!!!!

Ah, e antes que algum engracadinho venha dizer que perdemos em 82 e 86, eu digo: aquelas seleções tinham dois objetivos, ganhar e dar espetáculo. Portanto, eram mais ambiciosas que as que queriam maquiavelicamente apenas vitória. Aquelas seleções, se não ganharam, entraram para a história, deram o espetáculo, logo cumpriram 50% do seu objetivo. As outras, nem isso...

segunda-feira, julho 09, 2007

O FUTEBOL NA TV

Por Maio Spellman

Olá, blogueiros. Esta coluna dedico a minha esposa. No final, temos mais NAVALHADAS. Só corte. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo!!
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Recentemente numa dessas conversas amenas entre marido e mulher, chegamos a constatação de que vivemos sob a égide da ditadura do futebol na TV. Em princípio, eu não quis concordar com isso. Até ponderei que seria uma boa ditadura. Mas, pensando com calma a respeito do assunto e reavaliando os argumentos de minha esposa terminei por concordar: quantos meses por ano ficamos sem futebol na TV??

Somos submetidos a um arsenal de transmissões e de resenhas que redundam numa verdadeira ditadura futebolística sem precedentes. São jogos nas quartas, sábados e domingos dependendo da competição que está sendo transmitida.

No primeiro semestre temos campeonatos estaduais, Copa Libertadores, Copa do Brasil e Campeonatos Brasileiro série A e B divididos pelo vários canais abertos e pelas TV por assinatura. No segundo semestre as transmissões voltam-se para o Campeonato Brasileiro séries A e B. A série C só pelo bom e velho radinho de pilha. Os canais por assinatura ainda transmitem os principais campeonatos internacionais de futebol: Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Holanda. Não podemos esquecer dos jogos da seleção, jogos Pan-Americanos, Jogos Olímpicos, a Fórmula 1 e os circuitos dos esportes olímpicos: Vôlei, Natação, Vôlei de Praia, Futebol de Areia, Futebol de salão, etc, etc...

Sob esse prisma, o esporte da atualidade e seus organizadores estão empalmados pela lógica do mercado. Quanto mais transmissão mais verba publicitária, mais direitos de imagens dos jogadores , mais audiência, mais etc, etc... O esporte rendeu-se ao capital.
Quais as conseqüências disto?? Primeiro eu diria que há uma inflação de eventos esportivos. Algum atleta tem que disputar alguma coisa sob pena de algum empresário do ramo ter algum prejuízo financeiro. Ou alguma rede de TV também ficar no prejú.

A segunda é a desumanização do esporte. Os atletas estão avariados diante de tanta competição que disputam. No futebol, por exemplo, essa discussão está tomando contornos dramáticos. A grande preocupação é que ao se chegar numa Copa do Mundo de Futebol, marco maior do esporte planetário, os grandes craques já cheguem fatigados fisicamente. Na Copa de 2002 isso ocorreu com várias seleções. Por fim, a conseqüência de realmente deixar sem opção as pessoas que apreciam com moderação futebol e qualquer outro esporte. Sim, porque ninguém é obrigado a gostar de transmissão esportiva.

Resta-nos filtrar que futebol queremos ver, que narrador queremos escutar, que esporte queremos curtir e que resenha queremos entender. Temos profissionais do quilate dos canais ESPN e temos também muito picareta fazendo resenha por aí. Temos que primar pela qualidade do que está sendo transmitido. Nem toda partida de futebol, por exemplo, envolvendo times grandes da atualidade é o clássico que foi há 20 anos atrás.

Concluindo, o que temos hoje nas nossas TVs é esporte e futebol para os viciados. Para os Futebolátras. Aí eu me incluo, a duras penas.

NAVALHADAS

-ANA PAULA: Na verdade não sei se navalho. Ela posou nua. Logo após, foi reprovada no exame de aptidão física e vai arbitrar na quarta divisão do futebol paulista. Ganha R$ 1.100,00 para bandeirar, mas ganhou mais de R$ 400 mil para posar nua. Fiquei com pena. Vou aliviar a cara dela.

-LULA: Até votei no Lula, mas essa história dele defender e apoiar veladamente Renan Calheiros é duro e perigoso. Navalho outro dedo dele. Deixo o resto para que ele continue fazendo bem direitinho o que começou em 2003. Continua bem mesmo.

-RENAN CALHEIROS: Navalho porque quer ser rei do senado. Não tem hombridade. Navalho e dou navalhas para quem quiser navalhar comigo. Vamos também navalhar o gado dele e fazer churrasco.

-STF: Poderia haver uma operação navalha dentro do STF ou até mesmo uma operação “na vaia”, porque ninguém entende como um tribunal solta tanta gente envolvida em roubo, formação de quadrilha, etc, etc de modo legal e sereno como faz o STF. Tudo bem que todos devem ter o benefício da dúvida, mas confundir isso com impunidade é patriotada.

-CONGRESSO NACIONAL. Haja navalha para navalhar todos os deputados federais que estão nos enrolando com esse projeto da reforma política. “Os cara” são uns safadaços mesmo. Querem concorrer com o Judiciário para ver quem faz o excremento maior. Além de navalha vamos precisar de papel higiênico.

UFA!! CHEGA!!

quinta-feira, julho 05, 2007

Perder, ganhar, viver

Amigos, há exatos 25 acontecia a maior tragédia da minha vida. Maior? Não sei. Mas certamente a primeira. Ali, naquele Sarriá, numa tarde de lunes, aqui na Espanha, o futebol sofreu um de seus mais duros golpes. A paritir daquele dia as coisas mudaram. Muita gente começou a acreditar que pra ganhar tem que ser feio. Daí sai o Dunga. Aliás, que triste coincidência. A partida de ontem do Brasil foi hoje, aqui na Espanha. E que diferença! Ganhamos e é isso que importa. Coitados... Eles não conhecem a beleza. Um Amigo meu, que estava naquele fatídico dia, no malogrado estádio, resume aquele momento como uma poesia. "Aquilo foi uma poesia", nao se cansa de dizer. Concordo.


Por falar em poesia, no dia seguinte - ou, quem sabe ainda no mesmo dia, não sei - nosso poeta maior escreveu outra poesia, desta vez em forma de crônica para o Jornal do Brasil.







Perder, ganhar, viver
Carlos Drummond de Andrade


Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmuIas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas...

Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.

Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.

Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.

E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?

Ps. A foto acimao é de Reginaldo Manente, e foi a capa do Jornal da Tarde do dia seguinte.

segunda-feira, junho 11, 2007

Sport fará giro pela Espanha

Ao verem a capa do caderno de esportes de O Globo de hoje, os diretores do Real Madrid já confirmaram a contrataçao do ex-port para um giro pela Europa em comemoraçao ao provável título do próximo domingo. Segundo um companheiro do El País, o Sevilla também tá pensando em contratar o cachorro de peruca para a festa da Copa do Rei. É o futebol, ops, pernambucano invadindo o velho mundo...


quarta-feira, junho 06, 2007

Seleção e fórmula 1


O que há em comum entra a seleção brasileira e a fórmula 1?





a monotonia...

domingo, maio 27, 2007

A NAVALHA VERDE

Por Maio Spelman

Olá, blogueiros. Hoje iremos tratar do campeonato paraibano e de seu campeão, o Nacional de Patos. Dedico esse artigo para minha amiga Aninha que está em Londres vestida de Nacionalina. Estamos apresentando a partir de hoje a seção NAVALHADAS. Só corte. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo!!

***

A operação navalha da PF deu-me inspiração para concluir que o futebol é uma navalha. Aqui na PB, o Nacional de Patos foi ou não uma navalha para seus adversários do campeonato paraibano? Das 25 partidas, o Nacional, venceu treze, empatou seis e perdeu seis. É CAMPEÃO depois de cinco vice-campeonatos (78-89-90-91 e 05). Demorou!!

Vencedor do primeiro turno, o Nacional afrouxou no segundo e teve que decidir o título contra ao Atlético de Cajazeiras que conquistou o segundo turno em cima do Treze. Nas semifinais do primeiro turno, detonou o arqui-rival, Esporte. Na final do turno navalhou o Sousa. Nas semifinais do segundo, não passou pelo Atlético. Foi navalhado. Final decretada: Nacional x Atlético: o sertão já era campeão. Depois de cinco vice-campeonatos, o Nacional de Patos não deixaria escapar a chance de ser campeão pela primeira vez. Após derrota por 2x1 na cidade de Cajazeiras, o time fez 3x0 na cidade de Patos, sagrando-se campeão numa navalhada de quatro golpes. Merecido campeão. Desde 2000 que o Nacional de Patos tem feito boas campanhas no certame estadual. Aliás, os times sertanejos de modo geral têm sido navalhas para as equipes “grandes” da PB.

Os times do sertão esse ano jogaram mais e espernearam menos dentro de campo. Deram menos bordoada, reclamaram menos de arbitragem e catimbaram menos também. Não é por acaso que os representantes da Paraíba nas competições nacionais de futebol desse segundo semestre e da Copa do Brasil/08, foram os times sertanejos. O Nacional de Patos estará participando da série C e da Copa do Brasil/08. O Atlético estará na série C e o Sousa, estará na Copa do Brasil/08. Vamos ver agora se os times terão condições de bancar uma série C. Se é difícil para os “grandes” da Paraíba, imagine para os modestos e valentes times do sertão.
Moral da história: navalhe ou serás navalhado. O futebol é uma navalha.

NAVALHADAS:

-ANA PAULA, aquela bandeirinha bonitinha, mas ordinária, aprontou novamente. Dessa vez para cima do glorioso Botafogo/RJ, pela Copa do Brasil. Aliás, é ordinário todo árbitro que ganha em torno de seis mil reais para apitar um jogo e erra grotescamente.

-O REITORADO atual da UFPB faz um mandato tacanho. Tudo bem que tem feito investimentos em segurança e construído novas de salas de aula, mas na UFPB funcionário está dando três horas de expediente, Conselho de Centro não funciona e tem professor que só que dar aula até a quarta-feira porque reside em outro Estado da federação. E pode isso?

-ALGUNS JUÍZES do STJ e da STF estão dizendo, fazendo coro com os oposicionistas ao governo Lula, que a PF tem praticado excessos em suas operações e que as prisões preventivas são arbitrárias. Vem cá, um pobre rouba uma lata de sardinha e fica preso de seis a dez meses porque o hábeas corpus nunca é julgado. Um rico que rouba descaradamente e ainda paga propina para isso não pode sofrer o excesso de ser preso. Começo a acreditar que o problema da segurança e da injustiça no nosso país são alguns “juízes” e “desembargadores” que vivem no país das maravilhas, em virtude de seus altos salários. Excessivo, só os salários deles. BRAVO PF!! MANDA VER!!

CHEGA DE NAVALHADAS POR HOJE.

quinta-feira, maio 03, 2007

Foto sequência de uma descabaçada...

Havia num reino distante um grande e poderoso leão. Era um animal que pensava mandar em tudo e em todos. Ninguém tinha a coragem para enfrentar a tal fera.

Pois bem, um belo dia, um guerreiro destemido o desafiou. O guerreiro era pequeno, o leão, grande. Isso, porém só fez aumentar a raça e coragem do pequeno guerreiro...

O leão prometeu que iria mata-lo fácil, fácil...




o leão reinava absoluto



o pequeno guerreiro se prepara



posa para o que pode ser sua última foto



entra na jaula


uma alisadinha e o leão já não é tão bravo...



aí eu vou pra galera!!!!




por outro ângulo... o leão adora o carinho...


turistas do mundo inteiro querem luma lembrança da descabaçada...


Agradecimentos: El País, The Times, Ibama...


sexta-feira, abril 27, 2007

SOU ANTINETO

Por Maio Spellman

Acalmem-se. Não me refiro aqui aos netos dos avós. Refiro-me ao suposto comentarista de futebol, “Neto”, da TV Bandeirantes. Depois de suas declarações ao longo da participação do Corinthians na Copa do Brasil, eu me tornei um antineto.

O que é um comentarista? Quais as características que um comentarista de TV precisa ter para alcançar o grande público? Vejam que especifiquei “comentarista de TV” porque acho que é diferente ser comentarista na TV e no Rádio. As características são as que justamente, Neto não possui. Um bom comentarista é plural, comedido, imparcial, bem-humorado, cordial e humilde. “Neto” é embaçado, monolítico e mal-humorado. Embora tenha bastante propriedade daquilo que fala, só comenta bem os jogos do Corinthians. Agora vou explicar duas de suas lambanças nesta Copa do Brasil em participações do ex-timão.

Dia 14/03. Copa do Brasil/1ª fase. Treze x Corinthians. Durante um link direto do estádio “O amigão”, de Campina Grande, para o programa esportivo “Jogo aberto”, por volta do meio-dia, “Neto” discute com o falastrão, técnico do Treze, Arnaldo Lira, numa conversa que descamba para mérito de treinadores e respeito eterno ao Corinthians. O resultado do jogo todos sabemos, Treze 0x2, mas a grande mídia esportiva, inclusive a bandeirantes, utilizou a discussão, numa clara manipulação de fatos, para dizer que o Treze queria humilhar o Corinthians e que por isso o troco foi dado dentro de campo. Triste de um “time grande” de futebol que precise ganhar do Treze da Paraíba para renovar suas forças. Triste da mídia que faz esse discurso para um time de futebol. Mas, o futebol que tem a mídia que merece.

Dia 26/04. Copa do Brasil/2ª Fase - Oitavas. Corinthians 0x2 Náutico. O Corinthians é eliminado da competição pelo Náutico/Pe em pleno Pacaembu e apesar da mudança de tom antes da partida, porque o Náutico não é time da Paraíba e porque está na série “A” do brasileirão, o que mais se ouviu do grande comentarista “Neto” durante o programa, foi esbravejos amaldiçoando o Corinthians do torcedor “Neto”. Em nenhum momento respeitou ou reconheceu o futebol jogado pelo time de Recife.

Estou muito feliz com essa eliminação do Corinthians. Não porque sou torcedor do Náutico, ou porque sou nordestino, ou porque o Náutico vingou meu Treze véi da Paraíba. Estou feliz e andando nas nuvens porque sei que o grande comentarista “Neto”, está de cabeça inchada. E será assim daqui para frente. A cada derrota corintiana, minha felicidade aumentará. Cada vez mais sou anticorintiano e antineto. Sim... antiflamenguista também.

Dá-lhe BOTA!! Dá-lhe BOTA!!.

quinta-feira, abril 19, 2007

Por falar em imagens...



Uma poesia

quarta-feira, abril 18, 2007

E por falar em cabaço...


Amigos,


acabo de ler no Blog do Santinha o texto de Samarone sobre o que significa o AC /DC, antes do cabaço e depois de cabaço.


Enfim, depois do cabaço tudo muda. O mundo volta a ser lindo.


Mas a história é a seguinte: estava eu ontem perambulando por uma livraria aqui de Granada, completamente desorganizada, livros espalhados por todos os lados, daquelas de dar inveja ao pior sebo de vocês possam imaginar. Sem mais nem menos me deparo com uma ediçao espanhola do belíssimo livro de Eduardo Galeano "Futebol a sol e sombra". Pois bem, olho a capa e dou um berro que os espanhóis não entendem:


- é o Santinha porra!!!


Maria, muito educada como sempre me diz:


- que Santinha! Tu acha que um livro de Galeano vai ter a foto do Santa Cruz, e logo aqui na Espanha?


Paro um segundo e penso que ela pode ter razão. Olho a capa com mais calma. São cerâmicas parecidas com as de Caruarú, penso. Um sinal. Abro o livro e vou procurar as informações sobre a capa e:


"Ilustración de la cubierta: Cerámica de Zé Caboclo, de Pernambuco, Brasil"


Não resta dúvidas, é o Santinha. Dou outro berro:


- é o Santinha porra!!!!!


Compro o livro, o único que havia.
Agora a pergunta:
Vocês jáviram um livro de alguém tão importante com uma leoa descabaçada na capa?


Ps. não vou dizer quanto custou, porque resolvi regalarlo ao Perrusi.
Ps2. Para aqueles que duvidam, o site de editora é: www.sigloxxieditores.com

quinta-feira, abril 12, 2007

domingo, fevereiro 25, 2007

ATIVISMO ANTI-AIDS: QUAL ?

Por Maio Spellman

A temporada de futebol já começou, mas o assunto hoje ainda não é futebol. Boa leitura e aguardo opiniões sobre esse artigo. BOA LEITURA!!


O ativismo atual anti-aids possui novas configurações em virtude do estabelecimento inelutável da globalização e da parceria irremediável estabelecida entre Estado/ONGs. O ativismo, das décadas de 80 e 90, de rua, de passeatas, protestos, abaixo-assinados e de pressão em portas de gabinetes dos gestores governamentais de saúde, transmutou-se atualmente para o ativismo de execução de projetos.

O maior reflexo do impacto da globalização na luta contra a aids foram as transformações ocorridas no interior das ONGs. O modo de ser onguista foi capturado pelo reordenamento do capital, mediante a execução de projetos e também pelo fortalecimento da institucionalização da aids. Ao mesmo tempo em que as ONGs consolidam-se como parceiras do Estado, correspondendo a vigência do modelo globalitário, consolidam também o desenvolvimento institucional da doença porque precisam de um público alvo para executar seus projetos.

Ao enjaular as ONGs, a globalização enjaulou a própria sociedade civil. Pergunta-se: até que ponto as ONGs/AIDS têm se afastado de sua agenda de mobilização ao formalizarem parcerias com o Estado? De qualquer maneira, as ONGs ganharam relevância ao firmarem parcerias com o setor público governamental para execução de projetos.

As novas configurações do ativismo anti-aids deste inicio de século, no Brasil, podem ser resumidos em dois aspectos, conforme apontam resultados da pesquisa de mestrado realizada com membros do Grupo de Apoio à Vida-GAV/Campina Grande: o enfraquecimento/desmotivação pela realização de um ativismo coletivo e a adesão ao tratamento como ferramenta de motivação do portador do vírus HIV para a luta anti-aids.

Em relação ao primeiro aspecto, o enfraquecimento do ativismo coletivo é a opção pelo privatismo, pelo anonimato, presentificado pelo apoio dos portadores à execução de projetos. É o novo modus operandi da ação anti-aids caracterizada pela diminuição do estímulo para lutar, diminuição de voluntários, diminuição da freqüência do portador na ONG, abandono da mobilização em virtude da melhoria da qualidade do tratamento dos portadores, burocratização da ONG em virtude da execução de projetos e pela parceria Estado/ONG.

O segundo aspecto relacionado à prática do ativismo anti-aids diz respeito à adesão ao tratamento como ferramenta de motivação para a luta anti-aids, tendo como alicerce o fato da maioria dos portadores sentirem-se ativistas sem participar das atividades e o afastamento por opção, que tem relação direta com a perda do poder de aglutinação que as ONGs detinham.

Aqui se percebe quanto o poder sobre o corpo é exercido dentro das ONGs. Ao aderir ao tratamento, o portador assume não um procedimento de saúde, mas uma identidade. Passam a ser os monitorados, “o público alvo”, os que recebem tratamento e medicamentos gratuitos. São “os da ONG”. Os cadastrados nos serviços de saúde, que procedem caracterizando e outorgando o biopoder sobre seus corpos.

A ONG, por sua vez, cumpre seu papel de regular a adesão ao tratamento aceitando os ditames da execução de projetos que incluam atividades de formação de grupos de adesão em detrimento de atividades que possam questionar que adesão é essa ou ao que aderir, desconsiderando, assim, que a adesão ao tratamento é um processo de emancipação psicossocial no sentido de que ao aderir ao tratamento o portador estará se assujeitando aos padrões dos medicamentos na tentativa de se sentir melhor e de debelar a doença. O portador, aconselhado, lançará mão das “técnicas” para tomar a medicação e assim se identificar com o tratamento e, conseqüentemente, com a adesão.

Também podemos citar como novas configurações do ativismo, realização de eventos, participação em câmaras técnicas de discussão, a valorização do trabalho dos técnicos na execução de projetos, atividades de prevenção em escolas e empresas, orientação de prevenção a portadores do vírus e como sendo uma prática diferente da militância, pois o ativista é mais organizado e tem metas a alcançar e cumprir.

Portanto, o movimento anti-aids contemporâneo está enjaulado e testemunha silenciosamente a captura da inteligência, da imaginação, da sensibilidade, da criatividade, da afetividade e da força dos portadores do vírus da aids.

As entidades precisam refletir sobre como transformar uma situação de mera execução de projetos, que torna a ONG uma instituição conservadora e funcionalista, para escaparem da perspectiva de mercado, da superficialidade, da não singularização e da produção de consensos que tornam os portadores homogêneos em pensamentos atos e omissões.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Piadinhas para esteban, a argentina...

Só me faltava essa, uma argentina aparecer aqui pra falar de futebol. Os caras ganharam apenas 2 copas, uma roubada por Vidella, Esteben, a senhora sabia que 78 foi uma copa roubada?

Nada melhor que piadinhas...

Sabe como um argentino se suicida?
ele sobe até o alto do seu ego e se joga...

Sabe qual a maneira mais fácil de ganhar dinheiro?
é comprar um argentino pelo que ele vale e vender pelo que ele acha que vale...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Rapidinhas sobre Brasil x Portugal

Olha o cafuçú, eu também vou...



- Aqui o jogo não foi en directo;

- Dunga me fez sentir saudades de Parreira;

- Dunga não tira os três volantes nem se Deus mandar;

- Dunga mostrou que quem não quer fazer, leva!!!!

- Frase do narrador espanhol: 1º mandamento do dunguismo, no pienses!

- Elano vai ser o Dunga do Dunga;

- Aécio Jr. É o sujeito mais azarado que conheço, ou seria gastador?, pois pagar não sei quantos euros para ver Dunga...

- ah! E a camisa do Dunga? Disseram-me que era uma homenagem ao Cafuçú.

sábado, fevereiro 03, 2007

Monumentais histórias tricolores

Em homenagem aos 93 anos do Mais querido Tricolor das Multidões, resolvi republicar algumas monumentais histórias tricolores. Começarei por esta porque acho que tem algumas coisas em comum com o nosso atual momento e, além do mais, porque de todos os jogos inesquecíveis, este é o mais inesquecível. Ela havia sido publicada originalmente no extinto blog Monumentais Histórias Tricolores.

Saudações Tricolores





O dia em que ganhei uma camisa de Givanildo

Era 18 de dezembro de 1983. Um domingo de muito sol no Recife. Era também aniversário de um primo meu chamado Maurinho, acho que ele completaria 4 ou 5 anos. Estávamos em Tamandaré de férias. Na sexta-feira anterior, meu pai tinha ido a pequena cidade de Barreiros fazer a feira, e voltou com três camisetas tricolores. Tinha, então, 9 anos e me lembro muito bem daqueles dias, estava deitado com meu irmão mais velho na rede quando meu pai chegou, jogou as camisas em cima de gente e disse:

- vamos ao jogo domingo, o Santinha será Tri-super-campeão.

Quase não acreditei. Seria a primeira final de campeonato que eu iria ver no Arruda. (Já havia ido algumas vezes, desde o final do anos 70, mas o primeiro jogo que me lembro de ter visto no Mundão foi um chocho Santa Cruz 1 x 1 Central.) Meu pai passou a nos contar como foram os outros dois títulos e nos explicou o que significava um Super-campeonato. Para o leitor de longe, um Super acontecia em Pernambuco quando cada um dos três grandes ganhava um turno, e não havia final, mas um triangular final, que era chamado de Super-campeonato. Até hoje, só houve três títulos decididos dessa forma, e o Santinha papou todos.

Enfim, no sábado acordamos cedo e fomos para Recife. Passamos o dia visitando alguns parentes e meu coração batia forte, não via a hora de entrar no Mundão. No domingo, dia do jogo, ainda tivemos que ir visitar um tio que estava muito doente. Acho que ele era tricolor. Lembro de entrar todo orgulhoso no hospital português. Aquela visita durou umas 10 horas, o tempo não passava de jeito nenhum. Ufa! Saímos, quando ainda caminhávamos pelo corredor do hospital, um velhinho, acho que algum paciente, disse que o Santinha iria perder. Olhei para o sujeito e tive vontade de mandar aquele condenado para a PQP, mas pensei e lhe disse apenas:

- Coitado!

Chegamos ao Arruda e eu nunca tinha visto tanta gente como naquele dia. Subimos umas rampas até as cadeiras. Da cadeira em que eu estava, tinha uma visão perfeita do campo, ou melhor, de todo o estádio. Enquanto o jogo não começava, comecei a observar as figuras que nos cercavam. Uma fileira abaixo, tinha uma “coroa” de uns 25 anos muito bonita, mas logo um detalhe me chamou a atenção. Ela tinha apenas três dedos em uma das mãos. Justamente a que segurava uma pequena bandeira do Tricolor que, diga-se de passagem, nem na hora das cobranças de pênaltis ela parou de agitar. Tinha outro cidadão que dizia ser torcedor da coisa, e que estava tranqüilo ali. Talvez o único tranqüilo. Mas o mais interessantes de todos, era um sujeito forte, sentado ao meu lado que dizia ter sido jogador do Náutico, zagueiro, mais precisamente. Ele estava completamente tresloucado. Dizia que o time dele ganharia, que era muito mais time e que se não ganhasse ele, ao chegar em casa, mataria a mulher, os filhos e depois se mataria. Pensei que só um maluco daqueles poderia ser torcedor do Náutico.

Bem vamos aos fatos. O Alvirrubro tinha um verdadeiro timaço. Faziam parte dele Baiano, Mirandinha, Cantareli, Porto entre tantos outros que não me lembro. Já o Santa, era conhecido como o timinho do Arruda, formado por jogadores da região e alguns pratas da casa que depois ganhariam o mundo. Havia um certo lateral direito chamado Ricardo, que depois virou zagueiro e acrescentou o sobrenome Rocha. Tinha também Zé do Carmo e um tal de Gabriel, um galego de Campina Grande que jogava com uma vontade imensa, meu pai o chamava de Diabo Loiro. Henágio também era desse time. O criolo jogava muito, mas era completamente irresponsável. Dizem, que só Carlos Alberto Silva, o treinador dessa equipe, conseguia fazer o desgraçado jogar bola, e no tapa! Além desses, tínhamos um goleiro, aliás, dois, porque o reserva era tão genial quanto o titular. Luis Neto foi o titular naquele dia e Birigui ficou no banco.

O primeiro tempo transcorria normalmente até que o falastrão Ernesto Guedes (técnico do Náutico) é expulso pelo árbitro Laerte Marquezine. Minutos depois, num bate-rebate dentro da área do Náutico a bola sobra para Gabriel que, de carrinho, manda a bola para o fundo das redes. O povão faz a festa! Terminada a etapa inicial, aquele meu vizinho estava ainda mais alucinado...

Os times voltam para o segundo tempo e eu não me lembro de ter visto uma pressão igual aquela até hoje, muito menos de uma performance de um goleiro como a de Luis Neto. O Santa não conseguia passar do meio campo e, minuto após outro, era uma chegada perigosa do Náutico e uma defesa milagrosa de Luis Neto. Lembro que o elástico do calção dele rasgou e o paredão tricolor tinha que, a todo o momento, ficar ajeitando a peça de roupa... Lá pelos 20 minutos, acho, não me lembro porque, Gabriel foi expulso. Se com onze o negócio tava feio, imagina com dez. Aí foi que Luis Neto apareceu. Se ele jogasse em qualquer time do eixo, teria sido convocado para a seleção brasileira. O jogo segue. O Náutico em cima até que, aos 42, Mirandinha finalmente fura a parede tricolor, o jogo termina empatado, meu vizinho, me perturbava e eu queria dar-lhe um tiro.

Vamos para a prorrogação. Carlos Alberto Silva coloca Django, um centro-avante que desembestou a fazer gols naquele ano, não me lembro no lugar de quem. Enfim, o jogo ta da mesma forma, Luis Neto nos Salvando de todas as formas possíveis e impossíveis. No único ataque tricolor, Django mete uma bola na trava. Mas a prorrogação não sai do zero.

Pênaltis, mais sufoco!

Acho que Baiano abre as cobranças. Náutico 1x0. pelo Santa, vai cobrar Edson Furquim, zagueiro, ele corre e chuta pra fora. A torcida fica muda. Só se ouve aquele medonho N-A-U-T-I-C-O naquele momento confesso que tremi. Achei que a vaca havia ido pro brejo. As lágrimas começavam a cair e meu vizinho cada vez mais a me perturbar. As cobranças continuam até que Mirandinha, justo ele, toma distância e chuta por cima. Os gritos invertem-se, agora só se ouve TRI-TRICOLOR, TRI-TRI-TRI-TRICOLOR! Termina a primeira série e o empate persiste. Vamos para as alternadas, um a um os jogadores vão convertendo.

Quando o alvirrubro Porto ajeita a bola para a cobrança, corre e bate colocado. Luis Neto defende, a bola lhe escapa e vai entrando de mansinho, até que, como um gato, ele segura a bola em cima da linha. Os jogadores do Náutico pedem o gol, os do Santa a defesa. O desespero toma conta dos timbus quando o juiz faz o gesto indicando que a bola não entrou. Aí, amigos, foi a coisa mais linda que eu já vi. A torcida não agüentou e invadiu o campo. Faltava ainda Gomes cobrar o derradeiro pênalti para o Tricolor. Foram necessários 52 minutos para retirar o povão. O detalhe é que ficaram, ao redor do gramado, torcedores, jogadores e comissão técnica de mãos dadas, fazendo a corrente. Foi absolutamente emocionante aquela cena. Gomes, então sacramentou o Tri-supercampeonato.

Naquele dia, ganhei de meu tio, pai do meu primo aniversariante, uma camisa que segundo ele foi do Mestre Giva. Guardo-a até hoje com muito carinho. Ali, exatamente naquele momento, eu compreendi a exata dimensão que o Santinha teria na minha vida.

PS. Não sei se meu vizinho matou a família, mas acho que não. Se ele havia sido jogador, certamente daria nos noticiários.