Finalmente amigos, tricolores ou não, chegamos à tão sonhada primeira divisão do futebol brasileiro. Chegamos, e fizemos isso com maestria. Fomos a melhor equipe da competição e vou fundamentar esta afirmação, sobretudo para os gaúchos, usando um argumento que os europeus tanto gostam: os números. Tivemos a melhor campanha, o melhor ataque, a melhor defesa, o artilheiro (e de lambuja o vice-artilheiro), além de melhor média de público e maior público em uma partida. Ontem, foram mais de 60 mil ensandecidos tricolores empurrando o time à elite do futebol brasileiro. Deixamos escapar apenas o título, mas o que é o título da segunda divisão? Que importância ele tem? Nenhuma, respondo. O título da segunda divisão é apenas um detalhe. O que importa mesmo é a classificação, e esta veio da forma que nós mais gostamos, na raça, com uma virada sensacional em cima da Portuguesa.
O grêmio, não tenho dúvidas em afirmar, é o legítimo campeão de série b 2005, como a Itália é a legítima campeã da copa de 82. (acho que vocês entenderam o que eu quis dizer, não?) Alguns times entram para história apenas pela frieza dos números, como a Itália, em 82. Outros, pela beleza do espetáculo, como o Brasil, na mesma copa. Portanto gremistas, comemorem o título, mas não se esqueçam que vocês jogaram um futebol muito abaixo das suas tradições de campeão do mundo. Vocês conquistaram o título usando o mesmo expediente da Itália, em 82. Jogaram um futebol varzeano. Muitas vezes medíocre e, na maioria das vezes, medroso. É bom lembrar ainda que vocês receberam pouco mais de 11 milhões de reais para disputarem esta competição, enquanto o tricolor “mais pobre” recebeu algo em torno de 500 mil. Apesar de tudo, no final, vocês só conseguiram o acesso, e o título, graças à incompetência do Náutico, ou ao improvável, imponderável, ou qualquer outro ável que vocês desejem. De qualquer forma, parabéns.
Mas vamos voltar ao Santa, que é o que interessa. O jogo de sábado, amigos, foi daqueles de matar qualquer torcedor desavisado, menos o tricolor de verdade. O torcedor do Santinha, o verdadeiro torcedor do Santinha, sabe que nada, absolutamente nada pode ser ganho com facilidade. E assim foi, a Portuguesa abriu o placar, num pênalti bobo cometido por Carlinhos Paulista. Logo após, teve a chance de matar o jogo com o angolano Johnson, mas havia uma, ou melhor, duas muralhas no seu caminho. Uma chamada Cléber, nosso paredão. Outra, Valença, o símbolo da nossa raça. Foi o primeiro momento mágico da tarde.
Graças ao dois, o time não levou o segundo gol e ganhou o ânimo que faltava para a reação. E ela não tardou. Carlinhos Bala tenta um chute cruzado da entrada da área, erra, mas quem está no caminho da bola? Nosso Rei, Reinaldo, o Rei do Arruda. O jogador já vinha sendo xingado pela torcida que pedia insistentemente sua saída. O Rei não teve dúvidas, girou em cima do zagueiro e encheu o pé para empatar o jogo. Ela não comemora, está com muita raiva. Logo ele, que não marcava há 4 jogos. A torcida entra em delírio. E o delírio se transforma em catarse 3 minutos depois, quando, de novo ele, o Rei, acerta uma cabeçada no cantinho de Gléguer. Era a inacreditável virada. Mais inacreditável ainda o gol de Reinaldo. Dessa vez ele comemora.
Amigos, a explosão do Arruda no segundo gol, foi uma das coisas mais belas que eu já presenciei em um estádio de futebol. E olhe que não sou tão menino assim, freqüento o Mundão desde o final da década de 70. Foram abraços e abraços. Era como se todos os 63 mil presentes se abraçassem de uma só vez. Só me lembro de ter visto uma ocasião tão linda. A final de 83, quando os jogadores fizeram uma corrente, de mãos dadas, com os torcedores que invadiram o campo, para a cobraça do pênalti que nos daria o Tri-super. Foi o segundo momento mágico.
O Santa ainda teve a chance de fazer o terceiro no primeiro tempo. Um belo lançamento de Reinaldo, de novo ele, encontrou Carlinhos nas costas da defesa paulista e ele, como uma Bala, só não fez o gol por um milagre. Intervalo...
No início do segundo tempo, uma jogada de Pelé. Quase um gol de Pelé. Xavier pega a bola na linha de meio campo e avança driblando todos os adversários que aparecem pela frente, entra na área, dribla mais um zagueiro, dribla o goleiro e outro zagueiro no mesmo lance, o gol está aberto, ele toca a bola que vai entrando mansinha nas redes paulistas...quando surge do nada, talvez do Triangulo das Bermudas, como disse o amigo Jeó, um defensor da Lusa e consegue salvar, em cima da linha, o que seria um gol de Pelé. Na verdade, foi um gol de Pelé, pois, assim como no gol mais bonito do Rei, a bola, ontem, também teimou em não entrar. Amigos, eu não tenho a menor dúvida de que se aquela bola entra, o jogo acaba. Foi o terceiro momento mágico.
O quarto e último momento mágico aconteceu aos 42 do segundo tempo. Novamente o nosso paredão opera um milagre em pleno Arruda. Cléber defendeu um chute a queima roupa do angolano Jonhson. Ali, amigos, naquela defesa ninguém, se é que ainda tinha alguém que duvidasse, mais teve dúvidas da classificação. O resto, é o que todos já sabem. Não veio o título, mas praque o título?
Só posso dizer MUITO OBRIGADO a todos os que fizeram o Santinha este ano. Agradecimentos mais que especiais a Givanildo, o Cruyff do Nordeste, Carlinhos Bala, Reinalo (esse com vários pedidos de desculpas), Rozembrick, Valença e Cléber.
Sobre o Náutico
Como não há o que, nem como, explicar o ocorrido, me resta apenas uma observação.
Quando escrevi que Kuki era uma espécie de Romário, me enganei redondamente. Romário jamais deixaria de bater aqueles pênaltis.
Outra cena comovente, amigos, foi quando o radialista Antônio Idelfonso, alvirrubro de coração, sentou à nossa mesa na Dobradinha do Gordo, para dizer que no programa do dia seguinte iria apenas pedir desculpas à torcida do Santa. E nós tivemos que consolá-lo. O Náutico viveu seu Maracanazzo.
PS. Sugiro a todos que leiam, no Blog do Santinha, Os Caminhos da Vitória

2 comentários:
O jogo foi igual. Nao teria sido i justo se a Lusa tivesse ganho. Alias, o primeiro tempo a portuguesa foi muito melhor, e nao merecia ir pro vestiario derrotada. No segundo tempo o santa se impôs, talvez empolgado pela virada e o abalo dos jogadores adversarios, pelo mesmo motivo, mas mesmo assim a portuguesa tambem criou algumas chances, como o chute de johnson q vc citou.
Nao sei quanto a nautico e gremio, mas gostei muito do futebol do santa e da lusa. jogao, disputado e de alto nivel tecnico.
Do Santa, gostei principalmente de Rozembrick, Cleber e de Xavier.
Enfim, parabens Bosco e tricolores em geral. Pena que o nautico cagou o pau...
Bruno, O Santa começou bem melhor a partida, tocando bem a bola e chegando com perigo. mas depois dos 10 minutos, a lusa melhorou sobreduto porque Johnson se colocou sempre nas costas de osmar. O Penalti existiu e foi bobo, se carlinhos paulista entre com o ombro, o juíz não marca. Depois do gol, a Lusa teve uma chace clara, mas perdeu, graças a cléber e valença. O santa conseguiu se armar melhor. a jogada de cruzamento na área tava mais ou menos cantada, a defesa da lusa tava falhando nesse quesito. assim siu o primeiro gol. Depois disso, ninguém mais segurava o santa. tanto que viramos e perdemos uma ótima oportunidader de fazer 3x1 e matar de vez o jogo. a lusa só assustou na bola na trave de cléber, de falta, e no chute que eu citei.
O Santa mereceu, não só pelo jogo, mas por todo o campeonato...
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